
A Maersk emitiu um alerta nesta terça-feira (6), sobre o agravamento das condições de navegabilidade na região de Manaus entre meados de outubro e o fim de novembro (semanas 42 a 47 do ano). Diante da vazante rigorosa na Bacia Amazônica, a gigante do transporte marítimo prevê a redução da capacidade de carga dos navios e admite recorrer a operações complexas, como o uso de píeres flutuantes em Itacoatiara, para evitar o desabastecimento da capital amazonense.
A medida ocorre em um momento crítico para a hidrologia local. O Rio Negro e os principais afluentes da região enfrentam uma queda rápida em seus níveis, com trechos que já exigem atenção máxima para evitar o encalhe de embarcações de grande porte. Com os rios mais baixos, impõe-se a limitação do calado — a profundidade máxima que o navio atinge —, obrigando as embarcações a navegar com menor peso e quantidade reduzida de contêineres.
Para manter o fluxo de mercadorias, a companhia projeta um plano de contingência que inclui o desembarque parcial de cargas antes de Manaus, transbordos para embarcações menores, movimentações extras, armazenagem temporária e reposicionamento de equipamentos. Embora evitem a interrupção total das viagens — risco que chegou a ser considerado para o final do ano em projeções anteriores —, essas manobras alternativas encarecem e desaceleram toda a cadeia logística.
Impactos para o empresariado e a economia local
Como o modal aquaviário é a principal artéria para o escoamento de mercadorias e a chegada de insumos ao Estado, a menor oferta de espaço nos navios gera um efeito cascata imediato sobre a economia amazonense:
- Aumento do Frete e Custos Adicionais: Operações logísticas extras, como transbordos e uso de estruturas flutuantes, geram taxas operacionais e subidas no frete marítimo, custo que acaba repassado às indústrias, comércios e, por fim, ao consumidor.
- Atrasos no Polo Industrial de Manaus (PIM): Atrasos no recebimento de insumos e matérias-primas importadas ou vindas do Sudeste colocam em risco as linhas de montagem do PIM. A paralisação da produção afeta a competitividade das fábricas e coloca em xeque o cumprimento de metas para o período de vendas de fim de ano, como a Black Friday e o Natal.
- Desabastecimento e Inflação no Comércio: A limitação da capacidade de transporte pode reduzir a oferta de produtos alimentícios, eletroeletrônicos e bens de consumo nas prateleiras locais, pressionando a inflação regional.
- Insegurança para Pequenos e Médios Empresários: Sem a previsibilidade das entregas e com margens de lucro mais apertadas, pequenos e médios comerciantes enfrentam dificuldades para honrar contratos e gerenciar seus estoques.
A Maersk informou que segue monitorando as projeções da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental e da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), e que ajustará suas operações de acordo com o nível real dos rios ao longo das próximas semanas.


