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Cidadania pelos rios: em Jatuarana, Justiça Eleitoral garante o voto

Na margem esquerda do rio Amazonas, o exercício da cidadania também depende de rios, barcos e planejamento. Na comunidade Nossa Senhora da Conceição, conhecida como Jatuarana (localizada a quase uma hora de lancha de Manaus), a presença da Justiça Eleitoral representa a possibilidade de votar perto de casa e superar parte dos desafios impostos pelas distâncias da região.

Neste ano, a seção eleitoral estreou a nova sala da Escola Municipal Elizabeth Siqueira Ferreira, que passou recentemente por obras de ampliação e melhoria. A estrutura renovada ampliou o número de duas para quatro salas de aula, além dos espaços destinados à secretaria, diretoria, Centro de Tecnologias Educacionais (CTE) e uma sala de recursos multifuncionais destinada a estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Para a líder comunitária Maria José Amaral da Cunha, de 68 anos, a transformação da escola representa uma conquista para os moradores. “A comunidade está progredindo. As autoridades estão nos vendo, conhecendo a nossa história e trazendo benefícios. Tudo isso faz a gente se sentir feliz e valorizado”.

Segundo ela, a equipe do TRE-AM esteve entre as primeiras a utilizar a nova sala climatizada preparada para receber a votação. Para moradores mais antigos, a presença da seção eleitoral na própria comunidade representa uma mudança significativa. No passado, votar podia exigir deslocamentos de barco ou rabeta até localidades mais distantes, como Puraquequara ou Bonsucesso.

O agricultor Narciso Nunes Ferreira, de 73 anos, integrante de uma associação que reúne 39 agricultores locais, lembra das dificuldades enfrentadas anteriormente. “Para nós é uma satisfação muito grande. Antigamente, ir no sol quente votar longe e voltar no mesmo dia era muito estressante. Hoje, a urna vem até nós. A gente sai de casa, vota e retorna tranquilo. Agradecemos à Justiça Eleitoral por essa facilidade”, afirma.

Além de facilitar a votação local, a chegada da urna mobiliza a própria comunidade na organização do transporte de moradores e familiares que vivem temporariamente em Manaus. Ele destaca o sentimento de união e o esforço voluntário dos ribeirinhos para garantir que todos exerçam o direito ao voto em seu local de origem. Um exemplo é o seu filho de 22 anos, nascido em Jatuarana e atualmente estudante de computação no Instituto Federal do Amazonas (IFAM), que retorna à comunidade no período eleitoral.

Votar na própria localidade transformou o dia da eleição em um momento de encontro para os moradores. Segundo Doramice da Cunha Silva, de 46 anos, vice-presidente da associação de moradores, famílias de outras localidades aproveitam a votação para retornar à comunidade. “Hoje a gente exerce a cidadania aqui dentro e acompanha o resultado na própria comunidade. Ficamos satisfeitos e com um sentimento de gratidão por ter tudo perto, sem o sofrimento do deslocamento. Vem gente de vários lugares de lancha, famílias inteiras que voltam à sua raiz ribeirinha para votar aqui. Isso define a nossa identidade e confirma o nosso direito”.

Democracia que chega pelos rios


A realização da eleição em comunidades de difícil acesso depende de um planejamento que começa muito antes do dia da votação e envolve equipes mobilizadas para garantir que urnas, materiais e profissionais cheguem a cada localidade. Servidor cedido para a Justiça Eleitoral há 36 anos, Paulo de Tarso, de 65 anos, já participou de missões na capital, em áreas rurais e em municípios do interior, como São Gabriel da Cachoeira e Boca do Acre. “Não é profissão, é paixão. É muito gratificante, porque a eleição é um processo democrático que prepara o futuro para os jovens e para os nossos netos. O trabalho é árduo. Em alguns locais, o eleitor precisa caminhar quilômetros no barro, mas estamos aqui para dar todo o suporte necessário”, afirma.

Para o servidor, a presença da Justiça Eleitoral nas comunidades também contribui para aproximar a população da instituição e reforçar o caráter técnico e imparcial do processo eleitoral. “É preciso olhar para a democracia sem ver a quem, com mais conhecimento e respeito. O TRE não faz política: o tribunal prepara a eleição com cuidado, enquanto os próprios cidadãos e mesários realizam o ato de votar nas seções”.

A comunidade


A comunidade Jatuarana reúne cerca de 154 famílias e aproximadamente 360 moradores. Destes, 214 são eleitores. Todos pertencentes à 68ª Zona Eleitoral que atende outras seis comunidades rurais ao longo da margem esquerda do rio Amazonas: Tabocal, Nazaré, São Pedro, Bonsucesso, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e Canaã.

A comunidade de Bonsucesso funciona como ponto estratégico para o transbordo entre embarcações regionais e lanchas, além de concentrar operações de recolhimento e transmissão dos dados eleitorais. A operação envolve policiais militares, técnicos de transmissão, gestores de rota, coordenadores e mesários.

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