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Estiagem no Amazonas reduz nível do Rio Negro e mobiliza intervenções nas hidrovias estaduais

Rio Negro baixa 2 metros em Manaus em 25 dias; nível está abaixo do registrado em 2025.

A severa estiagem que atinge o Amazonas continua a impactar o fluxo de navegação e a rotina das populações ribeirinhas. Na última terça-feira (27), o Rio Negro marcou 16,59 metros no Porto de Manaus — uma cota 2,74 metros abaixo da registrada no mesmo período de 2025, quando o manancial apresentava 19,33 metros. Entre os dias 2 e 27 de outubro deste ano, o nível do rio recuou 2 metros, indicando a continuidade do processo de vazante, embora em um ritmo um pouco menos acelerado do que no ano anterior.

As projeções hidrológicas indicam que a vazante continuará nos rios Amazonas, Solimões e Tapajós, com risco de prolongamento caso o retorno das chuvas sofra atrasos na região.

Cenário de emergência e apoio humanitário

Segundo boletim divulgado pela Defesa Civil do Estado, o desastre ambiental da seca e os incêndios florestais já afetam 124.887 famílias.

  • Em Emergência (46 municípios): Alvarães, Amaturá, Anamã, Anori, Apuí, Atalaia do Norte, Autazes, Barreirinha, Benjamin Constant, Boca do Acre, Borba, Caapiranga, Carauari, Careiro, Careiro da Várzea, Coari, Eirunepé, Envira, Humaitá, Ipixuna, Itamarati, Japurá, Juruá, Jutaí, Lábrea, Manacapuru, Manaquiri, Manicoré, Maraã, Maués, Nhamundá, Nova Olinda do Norte, Novo Airão, Novo Aripuanã, Parintins, Pauini, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Silves, Tapauá, Tefé, Tonantins, Uarini e Urucurituba.
  • Em Alerta (12 municípios): Barcelos, Beruri, Boa Vista do Ramos, Canutama, Fonte Boa, Guajará, Manaus, Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira, São Sebastião do Uatumã, Tabatinga e Urucará.
  • Em Atenção (4 municípios): Codajás, Iranduba, Itacoatiara e Itapiranga.

Ações governamentais: Dragagem e estrutura de balsas

Para assegurar o escoamento de insumos e o transporte de passageiros, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e os governos estadual e federal colocaram em prática obras de emergência:

  1. Obras de Dragagem: Estão em execução intervenções de desobstrução e remoção de sedimentos em quatro calhas estratégicas: Manaus–Itacoatiara, Coari–Codajás, Benjamin Constant–São Paulo de Olivença e Tabatinga–Benjamin Constant. As ações utilizam dragas de sucção e do tipo Hopper para garantir uma lâmina d’água trafegável.
  2. Operações com Balsas e Transbordo: Em trechos rasos onde os navios de grande porte (porta-contêineres) não conseguem navegar, operam estruturas temporárias de transbordo. As cargas são descarregadas em locais estratégicos, como Itacoatiara, e transferidas para balsas de menor calado, que transportam a mercadoria até o Porto de Manaus.

Impacto econômico: O drama dos empresários da Zona Franca

Apesar dos esforços de dragagem e logística por balsas, o setor produtivo e o comércio de Manaus enfrentam graves prejuízos:

  • Custo Logístico Elevado: A necessidade de operar transbordos e a aplicação da taxa de sobretaxa da seca (low water surcharge) por parte dos armadores aumentam sensivelmente o frete.
  • Atraso na Cadeia de Suprimentos: Fábricas do Polo Industrial de Manaus (PIM) relatam atrasos no recebimento de insumos importados e na expedição de produtos acabados para o restante do país.
  • Risco ao Consumidor: Entidades do comércio e da indústria alertam que os custos extras decorrentes do transporte alternativo e do risco de desabastecimento acabam sendo repassados ao consumidor final.

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