Entre os alvos da segunda fase da “Operação Sangria” em Manaus também está o ex-secretário de Saúde do Amazonas, Rodrigo Tobias

Policiais federais da Superintendência do Amazonas em Manaus cumprem nove mandados de busca e apreensão e cinco de prisão temporária expedidos pelo Juiz Francisco Falcão, pela segunda fase da “Operação Sangria”, que apura a compra indevida de respiradores para UTIs da rede pública estadual de saúde.
Os agentes deram início a operação, às 6h da manhã desta quinta-feira (8), em endereços do vice-governador do Amazonas, Carlos Almeida (PTB), na sua casa na Ponta Negra, no gabinete da Casa Civil na sede do governo, na Compensa, e em dois escritórios no prédio comercial Business Center, no Aleixo.
Os mandatos foram expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e Controladoria Geral da União (CGU).
Entre os alvos também estão o ex-secretário de Saúde do Amazonas, Rodrigo Tobias, e a ex-secretária executiva da pasta, Daiana de Souza, são alvos de mandados de prisão. Além deles, outras três pessoas da cúpula do estado, cujos nomes não foram divulgados – um deles, segundo o Ministério Público Federal (MPF), seria uma pessoa de confiança do governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC).
Segundo nota da PGR, o objetivo da segunda fase da “Operação Sangria” é aprofundar a investigação sobre o desvio de recursos públicos na compra indevida de respiradores por preços superfaturados no valor de R$ 2,9 milhões no pico da pandemia do coronavpírus em uma loja de vinhos.
Em uma manobra conhecida como triangulação, uma outra empresa vendeu 28 respiradores à adega por R$ 2,4 milhões; essa, por sua vez, repassou os equipamentos ao governo por R$ 2,9 milhões
As medidas cautelares incluem, além de prisão e buscas, o sequestro de bens e valores de seis investigados pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e também por promover a dispensa de licitação fora das hipóteses previstas em lei.
Carlos Almeida, segundo a investigação dos procuradores, com base em registros já reunidos pelo MPF, tinha grande influência na gestão da Secretaria de Saúde, onde atuou durante os três primeiros meses de governo. As provas apontam que a cúpula da Secretaria de Saúde se reportava frequentemente ao vice-governador para tratar de contratos da área de saúde, inclusive sobre pagamentos.
No pedido enviado ao STJ, a subprocuradora-geral da República indicou que o inquérito em curso investiga o direcionamento na contratação da empresa; sobrepreço e superfaturamento na aquisição dos respiradores; organização criminosa; lavagem de dinheiro; montagem de processos e adulteração de documentos, com a finalidade de encobrir os crimes praticados.
O vice-governador também foi, por pouco mais de um ano, até maio de 2020, secretário da Casa Civil. Na carta de demissão do cargo, ele disse estar ‘exaurido’, e afirmou querer se dedicar à vice governança do Amazonas.
Saiba mais
Em nota, o governo do Amazonas informa que está contribuindo com a investigação da Polícia Federal e órgãos de controle e que a ação de busca e apreensão, desencadeada nesta quinta-feira (8), envolve, em grande parte, pessoas que já não fazem mais parte da estrutura de Governo, bem como servidores que não atuam como ordenadores de despesas ou tenham poder de decisão na estrutura do Estado ou da investigação em questão.
“O Governo do Estado reitera que tem atuado de forma transparente e que confia na Justiça”, encerra a nota.


