
Um novo símbolo de acessibilidade, mais abrangente e representativo, começa a aparecer em espaços de Manaus. A mudança substitui o tradicional ícone da cadeira de rodas por uma figura humana com braços abertos dentro de um círculo, um pictograma que busca refletir inclusão, autonomia e diversidade.
Criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015, o chamado Símbolo Internacional de Acessibilidade foi pensado para representar todas as pessoas com deficiência, e não apenas aquelas com mobilidade reduzida. A proposta rompe com a ideia limitada do antigo ícone, historicamente associado apenas a usuários de cadeira de rodas.
No Brasil, a substituição foi aprovada pelo Senado Federal em abril de 2025, por meio do Projeto de Lei 2.199/2022, que altera a Lei nº 7.405/1985. O texto estabelece que o novo símbolo deverá ser utilizado em espaços como faixas de circulação, pisos táteis e mapas acessíveis, com prazo de até três anos para adaptação após a sanção presidencial. O projeto ainda aguarda tramitação final na Câmara dos Deputados.
Em Manaus, 7,4% da população possui algum tipo de deficiência, segundo o Censo 2022. Entre as principais limitações estão dificuldades para enxergar, caminhar ou subir escadas, manipular objetos, ouvir e funções cognitivas. No Amazonas como um todo, o índice é de 7%, com predominância de deficiência visual, motora e auditiva.
Adesão
Mesmo antes de virar lei, a mudança já começa a ganhar adesão em Manaus. Em uma das principais vias da zona Centro-Sul, a avenida Efigênio Salles, uma drogaria já substituiu o antigo símbolo em vagas de estacionamento, indicando um movimento inicial de atualização visual na cidade.
A Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Amazonas também se posicionou favoravelmente à adoção do novo pictograma e informou que tem incentivado a implementação junto aos órgãos estaduais. Para a pasta, a mudança vai além da estética.
“Essa mudança representa autonomia, movimento e igualdade. Afinal, deficiência não tem uma única forma e a acessibilidade é para todos. Mais do que mudar um símbolo, é hora de mudar o olhar”, destacou a secretária.


