
Em busca de soluções para os desafios logísticos enfrentados pelo Polo Industrial de Manaus (PIM), o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), representantes de empresas de logística aérea e a Vinci Airports, concessionária operadora do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, reuniram-se para debater alternativas de expansão das operações de cargas no aeroporto de Manaus. (propostas abaixo)
O evento aconteceu nesta semana na sede do Cieam. A estiagem de 2023 no Amazonas impactou significativamente o setor industrial, levando-o a buscar alternativas logísticas, especialmente por meio de empresas aéreas, para garantir o fluxo de insumos e a distribuição de produtos.
Os impactos logísticos disso geraram custos extras de pelo menos R$ 1,4 bilhão para o PIM. Para o presidente da Comissão de Logística do Cieam, Augusto Rocha, o aeroporto de Manaus pode ser mais competitivo, podendo ser um concentrador de voos não só para o Norte do Brasil, mas todo o Norte da América do Sul.
“O aeroporto pode ser um eixo de desenvolvimento para o Estado ou pode ser um elemento de frear, de atrapalhar. Então a gente tem a expectativa que o aeroporto de Manaus tenha uma pauta de expansão das cargas aéreas e torne ele mais competitivo, mais barato, que leve a uma redução de custos para a indústria” destacou Rocha.
De acordo com Thiago Brandão, gerente da Vinci Airports, o aeroporto de Manaus é o terceiro maior terminal de cargas do Brasil, movimentando 120 mil toneladas em 2023, sendo 84% desse volume composto por matéria-prima importada da Ásia.
Propostas para a expansão logística
Diversas alternativas foram discutidas durante a reunião, incluindo a necessidade de ajustes governamentais para atrair mais empresas aéreas e agilizar a autorização de novos voos, atualmente com prazo de até seis meses.
A criação de um centro de distribuição de cargas em Manaus também foi proposta, visando tornar o aeroporto um hub para agilizar a entrada de importações no país.
Outra sugestão apresentada foi o uso do aeroporto de Manaus como ponto estratégico para abastecer países vizinhos, como Colômbia, Peru, Equador e Venezuela.
Além disso, discutiu-se a possibilidade de transformar o aeroporto em um centro de armazenamento e distribuição para empresas de e-commerce, como Shein, Alibaba e Mercado Livre. Hoje, tudo o que vem da Ásia e Europa passa primeiro por Miami, vai para Guarulhos e segue para Curitiba que distribui para os Estados.

Desafios a serem superados
Um dos desafios centrais para estimular o tráfego aéreo de carga em Manaus é o aumento das taxas de logística aérea. As movimentações de mercadorias importadas, por exemplo, sofreram um aumento de 1.040,34%, passando de R$ 0,0771 por quilograma para R$ 0,8792.
A Vinci está promovendo consultas públicas para esclarecer a nova formação de preços dos serviços aeroportuários de carga.
De acordo com o presidente da Cieam, Lúcio Flávio, o próximo passo será a execução de ações coordenadas entre entidades públicas e privadas para consolidar o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes como um player estratégico na movimentação de cargas na América do Sul.


