A BR-319, é uma exceção: a vegetação nativa ainda ocupa 86% em um raio de 20 quilômetros da estrada. Os dados fazem parte da Coleção 11 do MapBiomas, com mapas anuais da cobertura e do uso da terra do Brasil entre 1985 e 2025.

O estado do Amazonas destacou-se no cenário nacional ao registrar 94,6% de seu território no bioma coberto por vegetação nativa em 2025, assegurando a segunda posição no ranking de conservação de toda a Amazônia, ficando atrás apenas do Amapá (95,5%). Os dados fazem parte do estudo “Bioma Amazônia”, elaborado pelo MapBiomas e divulgado nesta quarta-feira (14).
Apesar dos índices robustos de preservação interna, o levantamento aponta que o estado enfrenta pressões crescentes em suas fronteiras e áreas de entorno, impulsionadas pelo avanço da infraestrutura e da atividade agropecuária.
O ranking de vegetação nativa na Amazônia
Conforme o estudo do MapBiomas, a cobertura vegetal remanescente nos estados que integram o bioma apresenta o seguinte panorama:
- Amapá (AP): 95,5%
- Amazonas (AM): 94,6%
- Roraima (RR): 92,3%
- Acre (AC): 84,2%
- Mato Grosso (MT): 61,7%
- Rondônia (RO): 59,1%
- Maranhão (MA): 49,8%
- Tocantins (TO): 24,6%
O cerco na tríplice divisa (AMACRO) e as pressões nas fronteiras
As ameaças ao ecossistema amazonense refletem-se de forma indireta nas divisas do estado, com destaque para a região da AMACRO — zona de confluência entre municípios do Amazonas, Acre e Rondônia.
Embora ocupe 11% do bioma, essa área foi responsável por 13% de toda a perda de vegetação nativa registrada na Amazônia nos últimos 41 anos, acumulando uma redução de 7 milhões de hectares de florestas desde 1985 (uma queda de 16%). O ritmo de destruição se intensificou na última década (2015 a 2025), período em que foram perdidos 2,7 milhões de hectares.
O principal motor dessa supressão é a conversão do solo para a pecuária: a área de pastagem na zona de influência da AMACRO disparou e hoje é cerca de 15 vezes maior do que em 1985, acumulando um acréscimo expressivo de 6,6 milhões de hectares. Oficializada pelo Governo Federal em novembro de 2021 — após ser idealizada em 2019 por lideranças do agronegócio, Embrapa e governos estaduais para integrar bioeconomia e infraestrutura em 32 municípios —, a região da tríplice divisa tornou-se um vetor crítico de pressão ambiental.
O contraste na BR-319
Enquanto estados vizinhos apresentam forte degradação ao longo de suas rodovias — onde a agropecuária avança de forma intensa —, o Amazonas mantém níveis elevados de conservação em eixos viários estratégicos.
Segundo o MapBiomas, em um raio de 20 quilômetros da BR-319, a floresta ainda corresponde a 86% da área. Para efeito de comparação com outras rodovias da região amazônica, esse percentual despenca para 43,5% na BR-364 e para apenas 39% na BR-163, evidenciando o desafio contínuo de proteção que o Amazonas enfrenta para frear o avanço do desmatamento em suas fronteiras.


