
O Amazonas já soma 112 casos confirmados de meningite em 2026, segundo dados do Painel Epidemiológico de Meningite, do Ministério da Saúde. O número coloca o Estado na segunda posição entre os estados da região Norte, atrás apenas do Pará, que registra 431 casos neste ano.
No Brasil, foram confirmados 8.623 casos de meningite em 2026. Apesar da redução de 18,2% nas confirmações entre 2023 e 2025, a doença continua exigindo atenção, principalmente diante dos casos que podem evoluir de forma grave.
A meningite é uma inflamação das membranas que protegem o cérebro e a medula espinhal. A doença pode ser provocada por vírus, bactérias, fungos e parasitas, além de também estar relacionada a causas não infecciosas, como traumas e determinados medicamentos.
De acordo com o infectologista Marcelo Cordeiro, consultor médico do Sabin Diagnóstico e Saúde, o tipo de agente causador interfere diretamente na evolução da doença, no tratamento e nas medidas de prevenção.
A meningite viral é a forma mais frequente e, em geral, apresenta evolução mais branda. Já a meningite bacteriana pode provocar quadros graves e exige atendimento médico imediato.
Entre as principais bactérias associadas à doença estão o meningococo, o pneumococo e o Haemophilus influenzae tipo b (Hib).
Como ocorre a transmissão
A doença meningocócica é transmitida principalmente por secreções respiratórias durante o contato próximo e prolongado entre pessoas. Situações como convivência na mesma residência, permanência em creches e outros ambientes de contato próximo podem facilitar a transmissão.
Quando há confirmação de doença meningocócica, pessoas que tiveram contato próximo com o paciente podem receber indicação de quimioprofilaxia, feita com antibióticos para reduzir o risco de desenvolvimento da infecção.
O pneumococo possui características diferentes. A bactéria pode estar presente no nariz e na garganta de pessoas saudáveis e provocar meningite quando chega à corrente sanguínea ou às meninges. A infecção pode estar relacionada a quadros como pneumonia, sinusite e otite.
Já o Hib é transmitido por gotículas respiratórias e afeta principalmente crianças pequenas que não foram vacinadas. A incidência desse tipo de meningite caiu após a adoção da vacinação.
Também existem formas menos frequentes da doença, causadas por fungos e parasitas, que atingem principalmente pessoas com imunidade comprometida. Outra forma é a meningite tuberculosa, provocada pela bactéria responsável pela tuberculose.
Vacinação é uma das formas de prevenção
A vacinação está entre as principais medidas para prevenir as formas bacterianas mais graves da meningite. Na rede pública, estão disponíveis vacinas contra agentes como meningococo, pneumococo e Hib, conforme a idade e as condições de saúde de cada pessoa.
Na rede privada, também há a vacina meningocócica B, que protege contra o sorogrupo B. Dados recentes do Ministério da Saúde apontam esse sorogrupo como o mais frequente entre os casos de doença meningocócica nos quais foi possível identificar o sorogrupo.
Manter o calendário de vacinação atualizado é uma das medidas indicadas para reduzir o risco de infecção e de formas graves da doença.
Sintomas exigem atendimento rápido
Os principais sintomas da meningite incluem febre alta, dor de cabeça intensa, rigidez na nuca, vômitos e sensibilidade à luz. Em bebês, os sinais podem aparecer de maneira diferente, com irritabilidade, choro persistente e abaulamento da moleira.
A confirmação depende da avaliação médica e de exames. Entre eles está a análise do líquor, líquido que envolve o cérebro e a medula espinhal, coletado por meio de punção lombar. Hemocultura e testes moleculares também podem ser utilizados para identificar o agente causador.
Em casos suspeitos, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente. Nas formas bacterianas, o início rápido do tratamento é importante para reduzir o risco de complicações e morte.


