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Amazônia: governo anuncia R$ 209 milhões para combater crime organizado

Amazônia enfrenta avanço do PCC e do Comando Vermelho em áreas de fronteira e rotas do narcotráfico.

O governo federal anunciou um pacote de medidas para combater o crime organizado na amazônia e em regiões de fronteira. O plano prevê R$ 209 milhões em ações preventivas, operações de repressão e iniciativas de retomada de áreas sob influência de facções criminosas.

O anúncio das ações ocorreu nesta segunda-feira (18), em Manaus, durante o lançamento do programa Território Seguro, Amazônia Soberana, do Ministério da Justiça. As medidas visam combater o crescimento da presença de facções na região amazônica, onde mais de 40% das cidades registram ação de grupos organizados.

Estão previstas a destinação de R$ 69,1 milhões em ações de desarticulação de quadrilhas e recuperação de territórios dominados por organizações criminosas, e R$ 7 milhões voltados a operações de inteligência.

Segundo o governo, outros R$ 85,9 milhões serão investidos em ações de prevenção e ampliação do acesso a direitos, enquanto R$ 47 milhões irão para projetos de reinserção social e incentivo a atividades econômicas lícitas.

O plano prevê o acompanhamento de sete regiões prioritárias, áreas onde, somadas, vivem 38 etnias indígenas diferentes.

Serão monitorados sete municípios no Alto Solimões e três no Alto Rio Negro, no Amazonas; sete cidades no Acre; cinco municípios no Baixo Tapajós, no Pará; e cinco cidades na microrregião de Imperatriz, no Maranhão.

Dois dos estados incluídos no plano estão fora da Amazônia Legal. O Mato Grosso do Sul terá cinco municípios atendidos e o Paraná terá nove, em áreas próximas à tríplice fronteira com o Paraguai e a Argentina e em territórios indígenas Avá-Guarani.

A portaria de lançamento foi assinada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, e pela titular da Senad (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos), Marta Machado.

A amazônia enfrenta uma crise de segurança marcada pela expansão de facções como o PCC e o Comando Vermelho em regiões de fronteira, em articulação com grupos do Peru e da Colômbia no tráfico internacional de drogas, além do avanço desses grupos sobre atividades ilegais como o garimpo e a exploração de madeira.

Um relatório da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) divulgado em outubro de 2025 aponta que a fronteira entre Brasil e Colômbia está entre as principais rotas do narcotráfico mundial.

As medidas serão coordenadas pela Senad e integram o plano AMAS (Amazônia: Segurança e Soberania) do Ministério da Justiça, em ação desde 2023.

No ato, foram firmados acordos de cooperação entre o governo federal, universidades e forças de segurança nos estados, e o financiamento do plano contará com aporte do Fundo Amazônia do BNDES.

Violência em terras indígenas

Durante o lançamento, também foram divulgados dados do Índice de Vulnerabilidade ao Crime Organizado em Territórios Indígenas, estudo que analisou o grau de exposição ao crime organizado em 796 Terras Indígenas do país, considerando fatores como atividades ilícitas, violência, degradação ambiental e condições socioeconômicas.

Em 2024, foram registrados 1.241 casos de violência ligados à propriedade nesses territórios, incluindo 230 invasões e episódios de exploração ilegal de recursos. Ao todo, cerca de 622 mil pessoas vivem nessas áreas.

Plano para BR-319

Em Manaus, representantes do governo federal, Polícia Federal e órgãos locais também se reuniram para discutir um plano estratégico para a BR-319, rodovia de 885 km que liga a capital amazonense a Porto Velho (RO). A estrada, iniciada durante a ditadura militar e nunca concluída integralmente, permanece apenas parcialmente asfaltada.

No fim de abril, o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) suspendeu a licitação para o asfaltamento de um trecho de quase 340 km da rodovia, que atravessa uma área preservada da amazônia, em meio a uma disputa judicial.

Ambientalistas e movimentos indígenas afirmam que a pavimentação pode ampliar o acesso a regiões protegidas e acelerar o desmatamento ilegal. Já os defensores da obra argumentam que ela é necessária para conectar Manaus à malha rodoviária nacional e garantir a circulação durante o período de chuvas, quando a estrada se torna quase intransitável.

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