Polícia faz reconstituição em Atalaia do Norte com suspeitos de matar Bruno e Dom

Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como “Pelado”, e Jeferson da Silva Lima, o “Pelado da Dinha

As polícias Federal e Civil, além do Exército Brasileiro (EB), fazem a reconstituição dos assassinatos do indigenista Bruno Araújo Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, nesta quarta-feira (29), em Atalaia do Norte – a 1.136 km de Manaus).

Os suspeitos Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como “Pelado”, e Jeferson da Silva Lima, o “Pelado da Dinha”, foram levados para as áreas do crime, nesta manhã, para participação nesta etapa das investigações.

Esta é a segunda reconstituição do caso. A primeira contou apenas com a participação de Amarildo, que acusou Jeferson de ter atirado nas vítimas. Em depoimento, Jeferson acusou Amarildo de efetuar o primeiro disparo. Na reconstituição desta quarta, as versões devem ser confrontadas.

Agentes da Polícia Federal e Polícia Civil deverão percorrer todos os pontos-chave do caso: as comunidades São Rafael, São Gabriel e Cacheira, além das áreas onde Bruno e Dom foram assassinados e o local onde os corpos foram escondidos.

Desde o início do dia, há movimentação de equipes da PF e PC-AM no porto de Atalaia do Norte. Os policiais também levaram para as áreas da reconstituição sacos pretos, que serão usados para simulação da ocultação dos corpos.

Simulações

Nessa terça-feira, as embarcações utilizadas pelas vítimas e pelo pescador Amarildo, no dia do crime, foram utilizadas em simulações, para verificar se os relatos das testemunhas e dos suspeitos, obtidos no inquérito policial, são condizentes com a realidade.

De acordo com a PF, uma das provas técnicas a ser verificada era a velocidade das embarcações, especialmente no momento em que Amarildo e Jeferson perseguiam Bruno e Dom, entre as comunidades São Gabriel e Cachoeira.

Os resultados das simulações ainda não foram divulgado pelas autoridades.

Versões se contradizem

Os relatos de Amarildo e Jeferson sobre o crime são divergentes, já que ambos se acusam de ter iniciado os tiros que mataram o indigenista e o jornalista, no início de junho.

Em vídeo divulgado pela PF, no dia 21 de junho, Amarildo aparece negando que tenha atirado contra Bruno e Dom. Ele acusa Jeferson da Silva Lima.

Ao ser questionado se viu a hora em que Jeferson atirou, Amarildo confirma com a cabeça e responde: “vi”.

De acordo com Amarildo, Bruno teria revidado. O indigenista tinha porte de arma e escolta armada, mas dispensou a segurança no dia do crime, 5 de junho, um domingo.

Ainda na reconstituição, Amarildo afirma que Jeferson atirou na região lombar de Bruno. O suspeito também acusa o “Pelado da Dinha” de atirar contra Dom.

Já Jeferson afirmou que, no dia do crime, Amarildo o chamou para perseguir Bruno e Dom quando as vítimas passaram, de lancha, no rio Itacoaí. Segundo o depoimento do suspeito, quando estavam bem próximos, ocorreu o primeiro tiro, que teria sido efetuado por Amarildo, e acertado as costas de Dom.

Na sequência, Jeferson conta que atirou em Bruno. Houve uma sequência de disparos e ele não soube informar quem atingiu Bruno primeiro. Jeferson afirma que acredita ter atirado três vezes, o mesmo número de tiros dados por Amarildo. Bruno também teria atirado para se defender.

De acordo com o delegado de Atalaia do Norte, Alex Perez, a polícia já ouviu 20 testemunhas: 17 testemunhas e três, suspeitos.

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