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Assassino de canoísta britânica no Amazonas é condenado a 29 anos de prisão

Emma Kelty praticava canoagem pelo Rio Solimões e foi estuprada e morta enquanto acampava na ilha do Boieiro, município de Coari em 2017

 

Sentença da 1ª Vara da Comarca de Coari condenou a 32 anos e seis meses o réu Arthur Gomes da Silva pelos crimes de latrocínio (roubo seguido de morte), estupro, ocultação de cadáver e corrupção de menores cometidos contra a britânica Emma Kelty, morta em 13 de setembro de 2017 na praia do Boiadeiro, próximo à comunidade Lauro Sodré, na Zona Rural de Coari, onde a atleta de canoagem estava acampando. .

A decisão foi proferida pelo juiz Fábio Lopes Alfaia, na Ação Penal n.º 0001106-65.2017.8.04.3800, em 29/07, em que também foi decretada a extinção da punibilidade do réu Jardel Pinheiro Gomes, falecido em 2020.

Conforme a denúncia do Ministério Público do Estado (MPE-AM), a vítima decidiu navegar sozinha da nascente à foz do Rio Amazonas, em viagem que começou no Peru e terminaria no Brasil.

Após ter sido alertada sobre os riscos fez uma postagem em rede social com os dizeres: “Em Coari ou perto (100 km acima do rio) meu barco será roubado e eu serei assassinada. Legal”.

“Infelizmente, as palavras de Emma Kelty se cumpriram e ela foi assassinada e roubada, além de ser estuprada e ter o seu corpo destruído com a finalidade de ocultamento de vestígios do crime. Está-se diante de um dos crimes mais bárbaros cometidos no Brasil, o qual teve repercussão internacional”, descreveu na denúncia o promotor Weslei Machado.

Durante a instrução processual foram interrogados os réus e ouvidas testemunhas, e o conjunto probatório levou ao convencimento do magistrado sobre a comprovação dos requisitos exigidos por lei, resultando na condenação do réu.

Conforme consta na sentença, o crime foi cometido com uso de arma de fogo e faca, e “já morta, Emma Kelty teve o seu corpo jogado no Rio Solimões, que, devido às suas características, impede a localização de corpos e objetos”.

Em trecho da sentença, o juiz Fábio Alfaia escreve que “na análise do conjunto probatório estabelecido, observando-se as substanciosas alegações apresentadas por ambas as partes, forçoso é reconhecer que as provas colhidas são suficientes para a formação de um Juízo Condenatório em desfavor do acusado”.

Saiba mais

Em novembro de 2018, o MP ofereceu denúncia contra seis pessoas envolvidas no crime: Arthur Gomes da Silva, Jardel Pinheiro Gomes, Erinei Ferreira da Silva, Elionai Cordovil da Silva, Valtemir Andrade de Lima e Erinilson Ferreira da Silva.

Os demais envolvidos foram denunciados em razão do crime de receptação, pois não participaram do latrocínio, já que compraram dos criminosos os produtos subtraídos da vítima (receptação), contudo, a eles fora oferecido Sursis processual.

A morte da britânica foi confirmada pela Polícia Civil do Amazonas no dia 19 de setembro de 2017. Na época, um adolescente de 17 anos, foi apreendido em Codajás, a 240 Km de Manaus, suspeito de envolvimento no latrocínio e deu detalhes sobre o crime.

O adolescente informou, ainda, segundo a polícia, que a britânica foi atingida por tiros de espingarda calibre 20, com cano serrado, e depois teve o corpo jogado no Rio Solimões.

Os criminosos tentaram vender os objetos roubados de Kelty – dois aparelhos celulares, um tablet e uma câmera GoPro – em comunidades dos municípios de Codajás e Coari, de acordo com a polícia.

Mensagens no Twitter

“Uma mudança dramática em apenas um dia, mas o rio é assim mesmo. Cada quilômetro é diferente, e só porque uma área é ruim não significa que…”.

Esta foi a última postagem da britânica no Twitter na quarta-feira, 13 de setembro, no dia da sua morte. Ela usava a rede social para documentar a viagem pelo Amazonas.

A britânica foi desestimulada a seguir o trajeto sozinha. Chegou a fazer piada da situação em um tuíte três dias antes de ser assassinado: “Em Coari ou perto (a 100 quilômetros acima do rio) meu barco será roubado e eu serei assassinada. Legal”.

A postagem foi feita em 9 de agosto, quando ela ainda estava em Iquitos, no Peru. No fim do texto, disse que estava ciente das dificuldades, mas que não tinha nenhum arrependimento.

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