Aumentam em 17% os casos de violência sexual contra crianças em Manaus

Existem diversas formas de denunciar o crime: anônima ou presencialmente, em flagrante ou após o ato.

O número de casos de violência sexual contra crianças e adolescentes em Manaus apresentou crescimento de 17,9% em 2018 em comparação com o mesmo período de 2017.    No ano passado, foram 809 registros contra 686 no ano retrasado.

 Os dados são da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-AM). Segundo a pasta, a faixa etária mais afetada é a de vítimas entre 12 e 17 anos.

Conforme as ocorrências registradas pela SSP-AM, somente no ano de 2017, foram 295 notificações de violência sexual contra crianças de 0 a 11 anos e 391 registros em adolescentes de 12 a 17 anos. No ano anterior, o número de casos desta natureza subiu: foram 386 casos contra crianças de 0 a 11 anos, e 423 ocrrências contra adolescentes de 12 a 17 anos.

Notificações de Violência sexual – Manaus

Idade    2017      2018

0 a 11 anos         295         386

12 a 17 anos       391         423

Total      686         809

Fonte: SSP-AM

De acordo com a titular da Delegacia Especializada em Proteção a Criança e ao Adolescente (Depca), Joyce Coelho, a violência contra crianças e adolescentes possui um sentido amplo. Além da violência sexual, existe a física, psicológica e moral. No caso da Especializada, todos os dias são recebidas denúncias de ambos.

“Lidamos com todos os tipos de violência sexual de criança e adolescente. Isso inclui o estupro de vulnerável e todas as formas de exploração sexual”, explicou a titular.

Na Depca, o maior número de procedimentos, inquéritos de investigações e de prisões está relacionado aos abusos sexuais. Conforme a delegada, a faixa etária mais afetada é a de sete a 12 anos.

“São os casos que realmente demandam mais atenção e mais preocupação no sentido de que são condutas graves e que, no geral, resultam em consequências danosas para a vida das crianças”, disse.

Segundo a delegada, a vítima muda de comportamento e os responsáveis devem estar atentos. Entre as condutas das vítimas, além das alterações comportamentais, há distúrbio de sono e até intestinal.

“Geralmente, não tem como você perceber [o abuso] fisicamente, mas o comportamento da criança é alterado. O abuso atingiu de tal maneira que ela não consegue fugir. A criança passa a somatizar todo o problema, e isso se revela no comportamento ou muda o temperamento dela. A vítima se torna mais agressiva ou ao contrário, se torna mais introspectiva, depressiva, calada. Qualquer tipo de alteração comportamental é um sinal de alerta”, instruiu.

Com as mudanças, os pais e responsáveis pelas vítimas devem conversar com crianças e adolescentes para estreitar os laços de confiança. Dessa forma, uma possível vítima sentirá mais segurança para realizar a denúncia.

“Quanto mais cedo for descoberto o abuso, menos provável que as consequências sejam mais danosas. Assim, evita-se que ele [abusador] continue e também é mais fácil de reparar as consequências pro psicológico e crescimento saudável daquela criança”, afirmou a delegada.

Quem pratica o abuso

Na maioria dos casos, o abusador é alguém que convive próximo à vítima ou à família. A delegada Joyce Coelho disse que é preciso que os pais orientem os filhos a identificar as partes do próprio corpo, o que é íntimo, o que não é permitido que se toque e o que também não é permitido que a vítima toque em outra pessoa.

“Os abusadores geralmente têm relação de afeto, de confiança e até de amor com as vítimas, e isso favorece o abuso. Dependendo da idade, a criança não tem noção de que aquilo é um abuso, de que aquele carinho ultrapassou um certo limite, então é muito importante que a criança desde cedo seja orientada de uma forma condizente com a sua faixa etária”, informou.

Como fazer a denúncia

Atualmente, existem diversas formas de denunciar o crime: anônima ou presencialmente, em flagrante ou após o ato.

“As pessoas têm muito medo de fazer denúncia – ainda mais quando o autor tem um certo poder aquisitivo econômico. São os casos mais difíceis de denunciarem, pois as pessoas ainda têm um certo preconceito, um certo tabu ao falar sobre os crimes sexuais. O problema é que isso facilita o abusador: ele se sente impune, livre para continuar a agir dessa forma”, informou.

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