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Censo do MEC: 48.918 alunos amazonenses estão atrasados na escola

Quase 49 mil estudantes das redes pública e privada estão em situação de distorção idade-série no Amazonas, segundo dados do Censo Escolar do Ministério da Educação (MEC). O estado soma 48.918 alunos com idade acima da esperada para o ano em que estão matriculados, realidade que afeta principalmente comunidades rurais e ribeirinhas, onde a distância e as dificuldades de acesso à escola contribuem para a defasagem.

Embora o índice de distorção idade-série no ensino médio tenha caído 27,9% no Brasil entre 2022 e 2025, a Região Norte continua concentrando o maior percentual do país: 24,3%. De acordo com especialistas, fatores como longas distâncias, dificuldades de transporte, períodos de seca, mudanças frequentes de moradia e o ingresso tardio na escola ajudam a explicar esse cenário.

Nas comunidades ribeirinhas do Amazonas, a rotina escolar começa ainda de madrugada. Em muitas localidades, barcos passam de casa em casa para buscar os estudantes, garantindo que eles consigam chegar às salas de aula. Ainda assim, as dificuldades de deslocamento fazem com que muitos alunos abandonem os estudos, sejam reprovados ou acumulem atraso escolar.

Além da mobilidade das famílias, o funcionamento das escolas também precisa acompanhar o ritmo dos rios. Calendários letivos e horários das aulas são adaptados conforme os períodos de cheia e vazante, para garantir que os estudantes consigam chegar às unidades de ensino e retornar para casa em segurança.

Para reduzir a evasão escolar e evitar novos casos de atraso, escolas ribeirinhas adaptam a rotina às condições da região. Os alunos entram mais cedo e encerram as aulas antes das escolas da área urbana, respeitando o tempo de deslocamento pelos rios.

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