Embora ainda em curso até o fim de junho, a cheia dos rios no Amazonas já dá sinais de enfraquecimento e os níveis monitorados pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) devem permanecer abaixo da cota de inundação severa em 2026.

Vinte e dois municípios do Amazonas estão em situação de emergência por causa da cheia dos rios, segundo boletim divulgado pelo Governo do Estado. Ao todo, 223.259 pessoas já foram afetadas pelas inundações em diferentes regiões amazonenses.
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) conforme o 24º Boletim de Monitoramento Hidrológico da Bacia do Amazonas – apresenta a evolução dos níveis dos principais rios da região e indica que o rio Negro permanece em processo de elevação em Manaus, onde atingiu 28,42 metros, mantendo-se acima da cota de inundação, mas próximo da mediana histórica para a época.
Na bacia do rio Negro, o processo de enchente continua em toda a calha monitorada. Nos últimos sete dias, foram registradas elevações em São Gabriel da Cachoeira, em Santa Isabel do Rio Negro e em Barcelos. No rio Solimões, o comportamento varia ao longo da bacia: a parte alta apresenta vazante, a região média está em transição e a porção mais baixa segue em enchente. Em Tabatinga, a cota atual é de 10,69 metros, enquanto em Manacapuru o nível alcançou 19,06 metros.
Já na bacia do rio Madeira, o cenário é de recessão, com redução de 49 centímetros em Porto Velho e 58 centímetros em Humaitá nos últimos sete dias. Em Porto Velho, o nível atual é de 8,99 metros, dentro do esperado para esta época do ano.
As estações monitoradas no rio Amazonas seguem registrando enchente regular e comportamento compatível com o período hidrológico. Em Careiro, houve elevação de 7 centímetros na última semana. Itacoatiara registrou subida de 4 centímetros, alcançando 13,79 metros, enquanto Parintins apresentou elevação de apenas 1 centímetro, com nível atual de 8,18 metros, indicando estabilização da enchente e início da transição para vazante.
Na bacia do rio Purus, a estação de Beruri (AC), registrou uma elevação de 8 cm, mantendo-se dentro da faixa de normalidade para a época. A cota atual é de 20,36 m. Já em Rio Branco (AC), houve uma oscilação, com redução acumulada de 31 cm na última semana e a cota observada foi de 3,44 m. Com este decréscimo, o cenário permanece com nível abaixo do esperado para a época e ainda próximo das mínimas nesta estação.
Ações


Para atender as populações atingidas, o Governo do Amazonas informou que enviou na primeira etapa da Operação Cheia 2026, iniciada em maio, 598 toneladas de ajuda humanitária para municípios das calhas dos rios Juruá e Purus, consideradas as regiões mais impactadas pela subida das águas neste ano.
A ação prevê a distribuição de 26 mil cestas básicas. Desse total, 14 mil unidades, equivalentes a 322 toneladas, serão destinadas aos municípios da calha do Juruá. Outras 12 mil cestas, que correspondem a 276 toneladas, serão enviadas para cidades localizadas na calha do Purus.
O boletim também destaca as ações do projeto Água Boa. De acordo com a Defesa Civil do Amazonas, 147 kits de purificadores de água já foram encaminhados, em 2026, para 23 municípios do estado, com o objetivo de garantir acesso à água potável às populações afetadas pela cheia e também durante períodos de estiagem.
A Defesa Civil informou ainda que o monitoramento da cheia é realizado continuamente pelo Centro de Monitoramento e Alerta, responsável por acompanhar os níveis dos rios ao longo de todo o ano. O Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais segue atuando para minimizar os impactos provocados pela subida das águas nas áreas afetadas
Cenário atual no Estado
As cidades em situação de emergência são Atalaia do Norte, Barreirinha, Benjamin Constant, Boca do Acre, Canutama, Carauari, Careiro, Careiro da Várzea, Eirunepé, Guajará, Ipixuna, Itamarati, Juruá, Jutaí, Lábrea, Santa Isabel do Rio Negro, Santo Antônio do Içá, Tabatinga, Tapauá, Tefé, Tonantins e Uarini.
Outros 18 municípios estão em nível de alerta: Alvarães, Amaturá, Anamã, Anori, Borba, Caapiranga, Coari, Codajás, Envira, Fonte Boa, Iranduba, Japurá, Manacapuru, Manaquiri, Maraã, Nova Olinda do Norte, Pauini e São Paulo de Olivença.
Já em situação de atenção estão Apuí, Autazes, Barcelos, Beruri, Boa Vista do Ramos, Humaitá, Itacoatiara, Itapiranga, Manaus, Manicoré, Maués, Nhamundá, Novo Airão, Novo Aripuanã, Parintins, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, São Gabriel da Cachoeira, São Sebastião do Uatumã, Silves, Urucará e Urucurituba.


