Inmet: El Niño tem 90% de chance de ser “muito forte” e 75% de ser o mais intenso dos últimos 76 anos e pode provocar seca histórica no Amazonas e temporais devastadores no Sul.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu nesta segunda-feira (14), um alerta severo para o país: há mais de 90% de chance de o fenômeno El Niño atingir uma intensidade “muito forte” durante esta primavera. Análises baseadas em boletins climáticos da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), dos Estados Unidos, projetam ainda 75% de probabilidade de o evento se tornar o mais intenso dos últimos 76 anos. A alteração drástica nas temperaturas do Oceano Pacífico Equatorial e na pressão atmosférica coloca o Brasil em estado de atenção para desastres naturais e instabilidades meteorológicas ao longo do trimestre.
A Região Norte já sente o peso desse cenário, com o estado do Amazonas enfrentando uma das piores crises hídricas de sua história recente. A escassez prolongada de chuvas reduziu drasticamente o nível dos principais rios da bacia amazônica, isolando comunidades ribeirinhas que dependem do transporte hidroviário, comprometendo a logística de alimentos e remédios e prejudicando o acesso à água potável.
O solo ressecado e as temperaturas elevadas aceleram a degradação florestal e disparam os focos de incêndio no estado, gerando graves consequências para a biodiversidade e a saúde pública.
O avanço do fenômeno El Niño e a projeção de uma seca prolongada levaram o Governo do Amazonas a decretar estado de emergência climática e ambiental preventivo nos 62 municípios do estado. Com a vazante acelerada nos rios das calhas do Solimões e Juruá, órgãos estaduais e municipais intensificam planos de contingência para evitar o isolamento de comunidades e o desabastecimento de itens básicos.
Mapeamento dos Municípios Afetados
Conforme dados da Defesa Civil do Amazonas, o impacto do clima no estado se divide nos seguintes níveis de alerta e emergência:
| Status de Impacto | Nº de Municípios | Situação e Ações Atuais |
| Emergência Ambiental Preventiva | 62 municípios | Cobertura total do estado para simplificar compras e repasses de verbas de mitigação. |
| Emergência Direta por Estiagem | 7 municípios | Inclui Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Carauari, Eirunepé, Envira, Guajará e Ipixuna. |
| Alerta ou Atenção | 27 municípios | Calhas fluviais sob monitoramento contínuo por risco iminente de isolamento terrestre/fluvial. |
Ações de Mitigação do Governo do Amazonas
Para enfrentar os desdobramentos da estiagem e o pico do calor na calha dos rios, o governo estadual estruturou uma operação logística e ambiental:
- Segurança Hídrica e Humanitária: Envio de purificadores de água do projeto Água Boa e entrega de cestas básicas e medicamentos para populações rurais e ribeirinhas.
- Combate a Incêndios e Fumaça: Aumento do efetivo do Corpo de Bombeiros e brigadas ambientais nas regiões com maior incidência de focos de calor.
- Logística do Interior: Mapeamento de rotas fluviais alternativas para garantir o transporte de alimentos, combustível e insumos de saúde em trechos rasos.
Estratégias Preventivas da Prefeitura de Manaus

Na capital, os reflexos do El Niño afetam a qualidade do ar e o tráfego hidroviário. A gestão municipal adotou medidas focadas no perímetro urbano e periurbano:
- Comitê de Crise Climática: Criação de gabinete de monitoramento para articular ações rápidas contra ondas de calor extremo, fumaça e seca.
- Apoio a Comunidades Ribeirinhas: Distribuição de água potável e assistência médica preventiva nas áreas rurais do Rio Negro e Tarumã-Açú.
- Fiscalização Ambiental: Reforço das patrulhas da Guarda Municipal e da Defesa Civil no combate a queimadas urbanas e no monitoramento dos níveis do porto.
A atuação integrada busca evitar que o período de vazante deste ano atinja a severidade das secas históricas recentes enfrentadas pela região.
Cenário regional e alertas
- Região Sul: Apresenta anomalias positivas expressivas de precipitação, aumentando o risco de temporais e inundações catastróficas no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
- Norte, Nordeste e Brasil Central: Enfrentam chuva abaixo da média, ampliando o risco de crise hídrica severa no Centro-Oeste, Minas Gerais e Espírito Santo.
- Centro-Oeste e Sudeste: Ficam sujeitos a ondas de calor intensas e prolongadas.
A irregularidade do tempo atinge em cheio o agronegócio, um dos setores mais vulneráveis. A falta de chuva no centro produtivo do país seca as pastagens e compromete o rendimento de culturas essenciais. Com a redução na produção de grãos, carne e leite, a menor oferta no campo deve disparar a inflação dos alimentos nas prateleiras dos supermercados nos próximos meses.


