
O Conselho Deliberativo do Vasco aprovou a venda da SAF para Marcos Lamacchia e as alterações no estatuto social do clube necessárias para viabilizar a transação. O último passo será a votação na Assembleia Geral do clube, prevista para o dia 24 de outubro. Foram 204 votos: 175 a favor, 26 contrários e três abstenções para a venda da SAF. Foram 211 votos: 172 a favor, 34 contrários e cinco de abstenção para a reforma do estatuto.
Antes da abertura da votação dos conselheiros, Luis Manuel Fernandes, presidente do Conselho de Beneméritos do Vasco, leu alguns alertas sobre “fragilidades do contrato”, emitidos em parecer dos beneméritos. Entre eles estão: ausência de mecanismos claros de saída para o Vasco da operação, a possibilidade de o investidor interferir na escolha do representante do clube no Conselho de Administração da SAF e o caráter definitivo da transferência das ações.
— Não estabelecem mecanismos claros e efetivos que permitem ao Clube de Regatas Vasco da Gama encerrar ou rever sua participação na operação em hipóteses de descumprimento de obrigações essenciais, alteração substancial das condições econômicas do negócio, perda de capacidade financeira do investidor ou eventos que comprometam os objetivos estratégicos originalmente pactuados — apontou Luis Manuel.
— Então, estou tocando na essência da questão. Isso é um ponto de alerta aqui para os conselheiros e para os sócios do clube que irão deliberar sobre a matéria: a inexistência de mecanismos adequados de saída, caso isso seja de interesse do clube, caso haja descumprimento de compromissos.
Antes dos votos sobre a venda da SAF, dois conselheiros pontuaram questões do contrato. Leonardo Rodrigues e Pedro Daniel Strozenberg citaram, entre outras questões, o tempo hábil para ler todos os contratos e também os valores da operação. Alan Belaciano, presidente da Assembleia Geral do Vasco, respondeu os questionamentos.
— A gente se solidariza com o Conselho de Beneméritos, o prazo é muito pequeno, são sete dias, é um absurdo. Mas é o estatuto. Cabe a nós seguir o estatuto — disse Alan Belaciano, que completou:
— Sobre os valores, ouvi os questionamentos, mas neste mesmo Conselho, a SAF do Vasco foi vendida para a 777 por R$ 700 milhões por 70%. Hoje, a venda é por R$ 4 bilhões por 90%. Há cinco garantias apresentadas na Justiça pelo investidor que o presidente Pedrinho conseguiu.
A proposta de Marcos Lamacchia é:
- R$ 500 milhões em aportes para o futebol, com R$ 80 milhões da dívida do empréstimo
- R$ 150 milhões carimbados para o CT.
- O pagamento de dívidas concursais e extraconcursais (de aproximadamente R$ 1,3 bilhão).
- A cobertura de todo o déficit de caixa dos próximos cinco anos, hoje estimado em aproximadamente R$ 300 milhões por ano, que dá R$ 1,5 bilhão.
Agora, a proposta precisa ser aprovada pela Assembleia Geral para que Marcos Lamacchia seja o novo dono da SAF do Vasco.


