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CTEs de Manaus transformam educação com inovação e inclusão digital

Espaços pedagógicos mantidos pela Semed integram tecnologias como robótica, metodologias ativas e cultura maker, beneficiando cerca de 80 mil estudantes da capital e da zona rural.

A rotina de milhares de estudantes da rede municipal de ensino de Manaus passou por uma revolução silenciosa nos últimos anos. Com a implantação dos Centros de Tecnologias Educacionais (CTEs), recursos como robótica, plataformas de programação e kits maker deixaram de ser raridade e se tornaram ferramentas diárias na construção do conhecimento. Mantidos pela Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), os 168 espaços atendem cerca de 80 mil alunos do 1º ao 9º ano do ensino fundamental e da Educação de Jovens e Adultos (EJA), distribuídos em 247 unidades de ensino.

Criados em 2021 para substituir os antigos Telecentros, os CTEs surgiram com uma proposta ampliada e infraestrutura reforçada. Ao todo, a rede recebeu aproximadamente 3 mil computadores e 11 mil tablets. Para garantir o uso pedagógico dos equipamentos, cerca de 5 mil professores utilizam os espaços sob a orientação de 180 coordenadores dedicados à organização das atividades.

A proposta vai além do simples acesso a computadores conectados à internet. Nos CTEs, o foco está na aplicação de metodologias ativas — como gamificação, aprendizagem baseada em projetos e ensino híbrido —, alinhadas à abordagem Steam (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática) e à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) Computação.

“A tecnologia desperta o interesse dos alunos e facilita a aprendizagem. As dificuldades observadas durante as atividades são compartilhadas com os professores, que conseguem trabalhar esses conteúdos em sala de aula e acompanhar melhor a evolução de cada estudante”, explica Aguinaldo Araújo da Silva, coordenador do CTE da Escola Municipal Nova Vida, no bairro Mauazinho.

Formação continuada e projetos inovadores

Por trás do funcionamento dos centros, há um trabalho constante de capacitação profissional conduzido pela Gerência de Tecnologia Educacional (GTE), vinculada à Divisão de Desenvolvimento Profissional do Magistério (DDPM). A equipe conta com 108 educadores focados em projetos com a abordagem Steam e 46 profissionais voltados para o ensino de programação e robótica pelo projeto Procurumim.

Segundo o gerente da GTE, Austônio Queiroz dos Santos, o suporte pedagógico contínuo é a chave para o sucesso do programa:

  • Capacitação de coordenadores e professores;
  • Oficinas em serviço e visitas técnicas;
  • Assessoramento pedagógico direto nas escolas.

A resposta ao investimento transparece nas salas de aula de diferentes zonas da cidade. Na Escola Municipal Vicente de Paula, no bairro Japiim, o CTE atende 1.059 estudantes e inclui até iniciativas internacionais, como o curso “Educação sem Fronteiras Coreia e Manaus”, dedicado ao ensino do idioma coreano. Para o estudante Jhulian Benício Melo França, de 12 anos, a experiência no centro mudou sua relação com as disciplinas convencionais: “O que aprendemos aqui levamos para a sala de aula. Ficou mais fácil entender várias matérias”, relata.

Na zona rural, o impacto da inclusão digital é igualmente expressivo. Na Escola Municipal Deputado Arthur Virgílio do Carmo Bisneto, localizada na comunidade 23 de Setembro, a tecnologia passou a integrar a rotina desde a Educação Infantil. Para a professora Simone Moura Pantoja, os CTEs encurtaram distâncias: “Hoje não é mais possível separar o ensino em sala de aula da tecnologia. Os CTEs trouxeram novas possibilidades, contribuindo para uma aprendizagem mais dinâmica e conectada com a realidade dos nossos alunos.”

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