
O Rio Negro registrou uma queda de 5,21 metros no nível medido em Manaus ao longo do mês de setembro. Dados do Porto de Manaus nesta quarta-feira (30), indicam que a cota passou de 24,09 metros no dia 1º para 18,88 metros.. O ritmo de descida acelerou no decorrer do mês, alcançando uma taxa diária de até 23 centímetros entre os dias 19 e 25.
Projeções do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) indicam que a vazante de 2026 pode figurar entre as três mais severas da série histórica, atrás apenas dos registros de 2023 e 2024. A cota na capital deve atingir entre 13 e 16 metros nas próximas semanas, podendo alcançar 12,92 metros no cenário mais crítico — próximo do recorde absoluto de 12,66 metros registrado em outubro de 2024.
A retração é intensificada pela volta do fenômeno El Niño, que reduz as chuvas na bacia hidrográfica em pleno período de estiagem, cuja menor marca ocorre tradicionalmente entre outubro e novembro.
Ações locais e cenário ambiental
Diante do agravamento da estiagem e do risco de queimadas urbanas e rurais, a Prefeitura de Manaus firmou uma parceria estratégica com o Ministério Público para intensificar a fiscalização, combater focos de incêndio e mitigar os impactos da seca na qualidade do ar e na rotina da população.
No âmbito estadual, o combate aos ilícitos ambientais mostra avanços na contenção da perda da cobertura florestal. O Amazonas registrou uma redução de 27% nas taxas de desmatamento. Apesar do recuo anual no estado, os dados do Imazon apontam que a Amazônia Legal desmatou 463 km² apenas em agosto — volume 19% superior ao de 2025, embora ainda represente o segundo menor índice para o mês desde 2018.
Pará, Mato Grosso e Amazonas concentraram 83% do total desmatado na região entre janeiro e agosto. Segundo a pesquisadora Raíssa Ferreira, do Imazon, a análise histórica — que tem 2012 como a menor área devastada da série (714 km²) — demonstra a capacidade do país em conter a destruição, mas reforça a necessidade de ações contínuas para cumprir a meta de desmatamento zero até 2030.


