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Dólar cai ao menor nível em 5 meses; real valoriza

Moeda brasileira lidera com folga os ganhos em 2022 entre seus principais rivais ao subir 6,78%, o equivalente a uma queda do dólar de 6,35%

Credit Suisse trabalha com dólar entre R$ 4,18 e R$ 4,35 - Seu Dinheiro

O dólar começou a semana descendo a novas mínimas em cerca de cinco meses, com o real entre as divisas globais de melhor desempenho no dia, ainda embalado pelo atrativo juro oferecido pelo Brasil.

O dólar à vista terminou esta segunda-feira em baixa de 0,43%, a 5,2186 reais, menor valor desde 6 de setembro do ano passado (5,1764 reais).

O dia foi misto nos mercados globais de câmbio, com o índice do dólar em firme alta em dia de quedas de algumas divisas emergentes, entre as quais parte das latino-americanas. Porém, outros pares do real, como o peso mexicano e o rublo russo, se valorizaram.

Temores de conflito entre Rússia e Ucrânia justificaram uma postura mais defensiva de forma geral nos mercados financeiros globais ao longo do dia, mas a moeda brasileira mais uma vez venceu a pressão externa — e a narrativa para explicar segue a mesma: os elevados juros brasileiros como atratores de capital.

Mas no câmbio doméstico o fluxo positivo de capital estrangeiro continuou a dar o tom, num movimento que tem chamado atenção desde o começo do ano, desde quando já ingressaram cerca de 5,7 bilhões de dólares, em termos líquidos.

E especuladores que operam na Bolsa Mercantil de Chicago fizeram, na semana finda no último dia 8, a maior compra líquida de contratos de reais em pelo menos 26 anos. O montante foi tamanho que provocou uma virada no estoque de posições — de alvo certo de perda, o real agora é aposta de alta. É a primeira vez que investidores estão otimistas com a moeda brasileira desde setembro do ano passado e o nível de confiança é o maior desde agosto do mesmo ano.

O real lidera com folga os ganhos em 2022 entre seus principais rivais ao subir 6,78%, o equivalente a uma queda do dólar de 6,35%.

Em fevereiro, a taxa de câmbio se valoriza 1,66% — o dólar cai 1,63% –, o que deixa o real na vice-liderança global no período.

“O real tem se beneficiado de um ciclo de alta de juros muito rápido”, disseram em relatório estrategistas do Goldman Sachs, chamando atenção para o “carry” (taxa de retorno) da divisa, já em torno de 11% ao ano, a boa performance das moedas emergentes em geral e o patamar ainda elevado de prêmio de risco embutido na taxa de câmbio local.

“Diante disso, aliado ao alto ‘beta’ do real para o potencial de alta para as commodities, estamos reduzindo nossas projeções para o dólar a 5,00 reais, 5,10 reais e 5,10 reais em três, seis e 12 meses, respectivamente (de 5,40 reais, 5,50 reais e 5,50 reais anteriormente”, disseram, considerando que o entusiasmo com o real e com outras moedas de países que começaram cedo a subir os juros pode continuar no curto prazo.

“No cenário global, a antecipação da elevação da taxa básica de juros americana (diante do aumento das pressões inflacionárias) é um fator importante e tem peso relevante na dinâmica do real. Internamente, as dúvidas relacionadas à evolução das contas públicas e sustentabilidade fiscal também tendem a pressionar a moeda nos próximos anos”, disseram.

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