Na contramão do Brasil, Amazonas tem aumento no número de feminicídios, aponta Ministério.País contabilizou 1.082 mulheres assassinadas por razões de gênero entre janeiro e setembro.

O Amazonas está entre os 11 estados brasileiros que registraram aumento nos casos de feminicídio entre janeiro e setembro de 2026. O estado segue na contramão do resultado nacional e mantém em alerta os órgãos estaduais de segurança pública e de proteção às mulheres.
Panorama da Violência no Amazonas e Perfil das Vítimas
- Idade das Vítimas: Dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) apontam que 78% das vítimas de feminicídio no estado têm mais de 35 anos.
- Armas e Locais: Cerca de metade dos casos no estado é cometida com o uso de arma branca (como facas de uso doméstico) dentro da própria residência. Os registros concentram-se tanto na capital, Manaus, quanto em municípios do interior, como Carauari, Coari, Manaquiri, Barcelos e São Gabriel da Cachoeira.
Onde e Como Denunciar
Para interromper ciclos de violência e solicitar ajuda de emergência ou apoio institucional:
- Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher): Atendimento nacional gratuito e confidencial, disponível 24 horas por dia. Também recebe mensagens via WhatsApp no número (61) 9610-0180.
- Polícia Militar (190): Indicado para situações de emergência e flagrante delito.
- Delegacias Especializadas em Crimes contra a Mulher (DECCM): Em Manaus, a DECCM oferece atendimento e expedição de medidas protetivas de urgência.
- SAPEM e CREAM (Rede de Apoio no Amazonas): O Serviço de Apoio Emergencial à Mulher (SAPEM) e o Centro Estadual de Referência e Apoio à Mulher (CREAM) prestam acolhimento social, psicológico e suporte jurídico.
- Aplicativo “Alerta Mulher”: Ferramenta integrada ao Ciops para o envio de pedidos de socorro por mulheres cadastrais com medidas protetivas.
Dados Nacionais: queda no total de mortes, mas alerta para tentativas
No cenário nacional, o Brasil contabilizou 1.082 feminicídios entre janeiro e setembro de 2026, representando uma queda de 4,5% em relação ao mesmo período de 2025 (1.133 mortes).
- Evolução Trimestral: No 3º trimestre de 2026, houve recuo de 7,4% (338 casos contra 365 no mesmo período de 2025), consolidando o declínio que começou no 2º trimestre (-14,7%), a despeito da alta de 9,1% nos três primeiros meses do ano.
- Tentativas em Alta: Em sentido oposto, as tentativas de feminicídio aumentaram 10,4% no país (de 3.035 para 3.350 casos no período), atingindo uma média diária de 12 ocorrências.
- Severidade Penal e Ações: Em 2024, o feminicídio passou a ser tipificado como crime autônomo no Código Penal, com penas de 20 a 40 anos de prisão — podendo chegar a até 60 anos em situações agravantes. Em âmbito federal, o combate é reforçado pelo Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio e por iniciativas como o Centro Integrado Mulher Segura e a Operação Mulher Segura, responsável pela prisão de mais de 57 mil suspeitos de agressão no país.


