A estação foi instalada há cerca de 20 dias na sede da Fiocruz Amazônia, em uma estrutura metálica a aproximadamente três metros de altura.

A instalação de uma nova estação de referência de monitoramento da qualidade do ar na sede do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), em Manaus, marca um avanço crucial na proteção da saúde pública no Amazonas. O equipamento BAM 1022, fixado a três metros de altura como parte da Plataforma FioAres, realiza a medição contínua e de alta precisão da concentração de material particulado fino (PM₂,₅) na atmosfera.
A importância de mensurar esses dados torna-se crítica durante o período de estiagem na Amazônia, quando as queimadas cobrem a capital e o interior com densas nuvens de fumaça. Por serem diminutas, as partículas PM₂,₅ permanecem suspensas no ar e penetram profundamente no sistema respiratório.
A gravidade da situação ficou evidente no último dia 23 de setembro, quando a estação registrou uma média diária de 55,7 µg/m³ de PM₂,₅ — valor cerca de 3,7 vezes superior ao limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de 15 µg/m³. Ao longo de 24 horas ininterruptas, a poluição manteve-se acima do teto seguro, atingindo um pico de 119,1 µg/m³ às 6h.
Coordenada nacionalmente pela pesquisadora Beatriz Oliveira (Fiocruz Piauí) e localmente por Fernanda Fonseca, Polari Batista e Paula Morelli (ILMD/Fiocruz Amazônia), em parceria com o professor Rodrigo Souza (UEA), a iniciativa integra uma rede regional com unidades também em Rio Branco (AC), Porto Velho (RO), Santarém (PA) e Belém (PA). Financiada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a rede disponibiliza boletins diários e semanais no site da Fiocruz Amazônia para orientar a população, validar sensores de baixo custo e subsidiar políticas de vigilância em saúde ambiental.
Como os amazonenses podem minimizar os impactos da fumaça
Diante de episódios de poluição severa e exposição contínua ao material particulado, a população pode adotar medidas práticas para proteger a saúde, especialmente de crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares:
- Mantenha os ambientes internos vedados e umedecidos: Feche portas e janelas nos horários de pico da fumaça. Utilize umidificadores de ar, bacias com água ou toalhas molhadas nos cômodos para amenizar o ressecamento do ar.
- Reforce a hidratação constante: Aumente o consumo de água ao longo do dia e utilize soro fisiológico para hidratar as narinas e os olhos, ajudando a eliminar as partículas inaladas.
- Utilize máscaras adequadas: Ao precisar sair de casa ou realizar atividades externas em dias de alta concentração de fumaça, priorize o uso de máscaras do tipo PFF2 ou N95, que possuem capacidade de filtragem para partículas finas (as máscaras de tecido comum não retêm o PM₂,₅).
- Evite atividades físicas ao ar livre: Suspenda exercícios físicos em locais abertos nos períodos em que a qualidade do ar estiver inadequada, reduzindo o volume de ar poluído inalado.
- Acompanhe os boletins oficiais: Consulte regularmente os informes diários divulgados no portal da Fiocruz Amazônia para planejar rotinas e tomar medidas preventivas nos dias mais críticos.


