

Pelo sétimo dia consecutivo, a fumaça provocada por queimadas encobre Manaus e mantém a qualidade do ar em níveis alarmantes. Segundo a plataforma internacional IQAir, a capital registrou a pior qualidade do ar do Brasil, atingindo o índice de 132 (“não saudável para grupos sensíveis”), nesta quarta-feira (14).
Já os dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apontaram categorias entre “ruim” e “péssimo”, com o bairro Morro da Liberdade atingindo 165,5 $\mu\text{g/m}^3$ de concentração de partículas (sendo o limite considerado bom entre 0 e 25 $\mu\text{g/m}^3$).
Diante do cenário crítico, a Prefeitura de Manaus voltou a suspender as aulas presenciais na rede municipal nesta quarta-feira (14). A medida também foi adotada pela UEA (com aulas e atividades presenciais suspensas em todos os turnos e trabalho administrativo remoto) e pelo Instituto Federal do Amazonas (Ifam), no Campus Manaus Zona Leste.
Agravamento na Região Metropolitana e aumento dos incêndios

A fumaça que atinge a capital é fruto de focos de incêndio no interior do estado e em regiões vizinhas. A poluição também castiga outros municípios da Região Metropolitana:
- Manaquiri: $284,3\ \mu\text{g/m}^3$ (pior resultado registrado)
- Maués: $215\ \mu\text{g/m}^3$ (péssimo)
- Autazes: $176,7\ \mu\text{g/m}^3$
- Urucurituba: $157,9\ \mu\text{g/m}^3$
Nos primeiros 14 dias de outubro, o Painel do Fogo (Censipam) contabilizou cerca de 1,6 mil focos de incêndio no Amazonas — uma alta superior a 270% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Governo Federal reconheceu a situação de emergência decretada em 36 municípios amazonenses.
Ações ambientais e resposta da saúde
Para conter o avanço do fogo, o Ibama intensificou as fiscalizações em áreas críticas como Autazes, Careiro da Várzea, Parintins e Itacoatiara. O órgão já havia notificado preventivamente 725 propriedades rurais e agora realiza vistorias de campo, com autuações e multas aos proprietários que descumpriram as ordens de prevenção. O Ministério do Meio Ambiente investiga as origens do fogo e aponta suspeita de ação humana deliberada.
Na área da saúde, o Ministério da Saúde enviou técnicos da Força Nacional do SUS para auxiliar os gestores locais. As equipes trabalham na elaboração de um diagnóstico situacional da rede para mapear insumos, capacidade de atendimento, transporte sanitário e atendimento a populações vulneráveis e indígenas, visando mitigar os impactos da exposição prolongada à fumaça sobre doenças respiratórias e cardiovasculares.
De acordo com o presidente do Ibama, Jair Schmitt, o fogo no Amazonas não ocorre de forma natural, mesmo sob condições severas trazidas pela estiagem e pelo fenômeno El Niño. Ele destaca que a maioria das queimadas tem origem humana e motivação criminosa.
- Multas: valores administrativos que variam de R$ 5 mil a R$ 10 mil por hectare ou fração queimada;
- Interdição das terras: embargo imediato das propriedades e áreas atingidas, impedindo qualquer uso ou exploração econômica;
- Perda de bens e prisão: apreensão de equipamentos e maquinários utilizados no crime ambiental, além de responsabilização criminal, que pode resultar em pena de reclusão para os responsáveis.
Ao todo, 11 aeronaves foram mobilizadas para atuar no Amazonas: seis aviões Air Tractor, um cargueiro KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB), três helicópteros e um avião Caravan.
Cada aeronave tem uma função específica. Os aviões Air Tractor lançam água diretamente sobre as áreas atingidas pelo fogo. O KC-390 pode transportar e despejar grandes volumes de água ou líquido retardante de chamas. Já os helicópteros transportam brigadistas e equipamentos, enquanto o Caravan dá apoio logístico às equipes.


