Concentração de partículas finas atinge níveis críticos e péssimos em diferentes zonas da capital, agravada pela estiagem, queimadas e incêndio em área de descarte de resíduos

Manaus amanheceu nesta sexta-feira (9) sob uma densa camada de fumaça, com a qualidade do ar em níveis críticos e péssimos em diferentes zonas da cidade. O cenário, marcado pela elevada concentração de partículas finas que podem penetrar profundamente nos pulmões, acende o alerta para os riscos à saúde e leva autoridades a recomendar medidas de proteção, principalmente para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. Aulas da rede municipal de ensino foram suspensas, assim como o Parque das Crianças foi fechado.
Estiagem e queimadas agravam cenário
Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), por meio do Selva, apontam níveis preocupantes de material particulado fino (PM2,5), poluente que pode causar danos à saúde quando inalado. Além de comprometer a qualidade do ar, a fumaça reduz a visibilidade e agrava as condições ambientais na capital amazonense.
O fenômeno é associado à combinação de tempo seco, calor intenso e queimadas registradas no interior do Amazonas e em estados vizinhos. Um incêndio prolongado em uma área de descarte de resíduos na Zona Leste de Manaus, na região do Distrito Industrial, também contribui para agravar a situação.
A persistência da fumaça reforça a preocupação com a exposição da população à poluição atmosférica, sobretudo durante períodos prolongados ao ar livre. A inalação de partículas finas pode agravar problemas respiratórios e provocar irritação nos olhos e na garganta, tosse e dificuldade para respirar.
Orientações para a população
Diante da piora na qualidade do ar, as recomendações são evitar exercícios físicos ao ar livre, manter portas e janelas fechadas sempre que possível e reduzir o tempo de exposição à fumaça. Para quem precisar permanecer na rua por períodos prolongados, máscaras com proteção adequada, como as PFF2 ou N95, podem ajudar a reduzir a inalação de partículas.
Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias devem receber atenção especial, por apresentarem maior vulnerabilidade aos efeitos da poluição. Em caso de falta de ar ou agravamento de sintomas respiratórios, a orientação é procurar atendimento de saúde.
A situação exige acompanhamento contínuo dos indicadores ambientais e das condições dos focos de incêndio que contribuem para a fumaça. Enquanto persistirem a estiagem e as queimadas, a população deve seguir as orientações das autoridades e monitorar os boletins oficiais sobre a qualidade do ar.
Os dados em tempo real das estações do Sistema SELVA/UEA e as recomendações de saúde pública da Defesa Civil do Amazonas para enfrentar o pior nível de poluição atmosférica do ano estão detalhados a seguir.
Qualidade do Ar por Zonas e Bairros Afetados
A concentração de material particulado fino (\(PM_{2,5}\)) atingiu picos críticos, colocando Manaus no topo do ranking das cidades mais poluídas do Brasil pelo segundo dia consecutivo.
| Região / Zona | Principais Bairros Impactados | Concentração de Poluentes (\(PM_{2,5}\)) | Classificação do Ar |
|---|---|---|---|
| Zona Sul | Morro da Liberdade, Educandos e Centro | 320,2 µg/m³ | Perigoso / Péssimo |
| Zona Centro-Sul | Parque Dez de Novembro e Adrianópolis | Até 197 µg/m³ (AQI) | Insalubre / Muito Ruim |
| Zona Leste | São José, Jorge Teixeira e arredores do Distrito Industrial 2 | Níveis Críticos (Foco do incêndio em lixão urbano) | Péssimo |
| Zona Oeste | Compensa e Tarumã | Acima de 129,5 µg/m³ | Péssimo |
Cuidados de Saúde Práticos para Grupos de Risco
As orientações médicas e das autoridades ambientais recomendam ações rigorosas imediatas para crianças, idosos, gestantes e portadores de doenças respiratórias crônicas (como asma e bronquite).
- Uso de Máscaras: Ao sair às ruas, utilize estritamente máscaras com alto poder de filtragem, como os modelos PFF2 ou N95. Máscaras cirúrgicas simples de tecido não vedam as micropartículas tóxicas da fumaça.
- Isolamento de Ambientes: Mantenha portas e janelas de residências trancadas nos horários de pico da névoa fumaçenta (madrugada e início da manhã). Utilize ar-condicionado ou purificadores no modo de recirculação interna.
- Umidificação do Ar: Coloque bacias com água, toalhas molhadas ou utilize umidificadores elétricos nos quartos para aliviar o ressecamento das vias aéreas devido à baixa umidade do ar.
- Hidratação Severa: Incentive o consumo frequente de água líquida ao longo do dia para ajudar o organismo a purificar as toxinas inaladas.
- Suspensão de Atividades: Atividades ao ar livre e exercícios físicos devem ser completamente evitados enquanto os sensores do Sistema SELVA apontarem níveis acima do padrão seguro. Devido ao agravamento, inclusive instituições locais adotaram a suspensão de aulas presenciais.
Caso apresente sintomas severos como falta de ar contínua, dor no peito, tonturas ou tosse persistente com chiado, procure atendimento imediato na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) mais próxima de seu bairro.


