
Após seis cirurgias e uma longa trajetória de superação, brasileira de 28 anos disputa o individual geral ao lado de Flávia Saraiva no Mundial de Ginástica Artística, em Roterdã.
Lorrane Oliveira está de volta à final do individual geral de um Campeonato Mundial de Ginástica Artística após 11 anos. Aos 28 anos, a brasileira superou uma sequência de lesões e seis cirurgias para garantir a classificação na competição disputada em Roterdã, na Holanda. A ginasta do Flamengo também contribuiu para a campanha que levou a equipe feminina do Brasil ao quinto lugar na disputa por equipes.
A última participação de Lorrane em uma final mundial individual havia ocorrido em Glasgow, na Escócia, em 2015, quando terminou na 18ª colocação. Medalhista de bronze por equipes nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, a brasileira volta a disputar uma decisão individual depois de enfrentar anos de dificuldades físicas e processos de recuperação.
A classificação representa a concretização de um objetivo que a ginasta nunca abandonou: voltar a competir nos quatro aparelhos em um Mundial e demonstrar que ainda pode estar entre as principais atletas da modalidade.
“ Foram anos muito difíceis. Muitas pessoas não sabem o que passei. Foram seis cirurgias no corpo, no total, mas eu nunca deixei de acreditar, de sonhar e de lutar para estar aqui nos quatro aparelhos. É por isso que continuo na ginástica até hoje. Finalmente consegui chegar ao Mundial e me apresentar nos quatro aparelhos da melhor forma”, afirmou Lorrane após as eliminatórias.
Durante a classificatória, a brasileira cometeu alguns erros, incluindo um desequilíbrio na trave e uma execução de salto abaixo do esperado. Apesar disso, conseguiu completar as apresentações e deixou a arena satisfeita com o desempenho, especialmente por ter concluído a disputa sem novas lesões.
Nas barras assimétricas e no solo, Lorrane também teve participação importante na campanha brasileira por equipes.
“Estou muito orgulhosa de todas nós. Sexta tem mais. Agora é recuperar o corpinho, porque são quatro aparelhos”, brincou a ginasta.
A final do individual geral será disputada nesta sexta-feira (23), com transmissão do sportv2. Lorrane, classificada na 22ª posição, e Flávia Saraiva, que avançou em 12º lugar, representarão o Brasil na decisão.
Lorrane destaca importância de Rebeca Andrade
Medalhista de bronze por equipes em Paris 2024, Lorrane também comentou a importância de Rebeca Andrade para a seleção brasileira no Mundial de Roterdã. Mesmo participando apenas do salto e da trave na disputa por equipes, a maior medalhista olímpica do Brasil tem contribuído com a experiência e o apoio às companheiras.
Para Lorrane, a presença de Rebeca também é importante para a formação das atletas mais jovens, que precisarão assumir o protagonismo da ginástica brasileira nos próximos ciclos olímpicos.
“Só de ter ela aqui, ajudando a nossa equipe e competindo nos dois aparelhos, já é ótimo. De certa maneira, isso também é bom para a nossa equipe entender que nós, as mais velhas, uma hora vamos parar. A nova geração precisa entender como funciona um Campeonato Mundial e buscar séries mais difíceis para chegar a finais e disputar medalhas”, avaliou.
Na final por equipes, disputada na quarta-feira (21), o Brasil somou 159,730 pontos e terminou na quinta colocação. A China conquistou o ouro, seguida por Estados Unidos e Japão. As três seleções garantiram vaga antecipada nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
Brasil mira medalhas nas finais por aparelhos
Além do individual geral, a delegação brasileira mantém expectativas de medalhas nas finais por aparelhos. Rebeca Andrade foi o principal destaque nas eliminatórias do salto, com 14,533 pontos, e chega à decisão como uma das favoritas ao título. A brasileira busca o tricampeonato mundial da prova, cuja final está marcada para sábado (24), mesmo dia da disputa das barras assimétricas.
Na trave, Flávia Saraiva também aparece entre as candidatas ao pódio. A ginasta terminou a classificatória na terceira posição, com 14,400 pontos, e disputará a final no domingo (25). Na mesma data, será realizada a decisão do solo, que não contará com representantes brasileiras.
Para Lorrane Oliveira, porém, a classificação individual já representa uma conquista especial. Depois de mais de uma década, seis cirurgias e inúmeras dificuldades, a brasileira volta a disputar uma final mundial e reafirma a perseverança que marcou sua trajetória na ginástica artística.


