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Investigação do MPF revela venda de mercúrio no TikTok para garimpos amazônicos

O produto tem importação controlada no Brasil e é utilizada em garimpos ilegais de ouro no Amazonas.

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil para apurar a comercialização ilegal de mercúrio metálico por meio da rede social TikTok, com ofertas direcionadas expressamente ao mercado brasileiro. Conduzida pelo procurador da República André Luiz Porreca Ferreira Cunha, a investigação busca interromper um esquema de abastecimento clandestino que alimenta o garimpo ilegal e aprofunda a contaminação ambiental na Amazônia.

De acordo com o levantamento do MPF, três perfis na plataforma (@xinhong_pt, @xinhong.azogue e @xinhong_en) somaram mais de 5,8 milhões de visualizações ao divulgar 108 ofertas do metal líquido com alto grau de pureza (99,999%). Para atrair compradores na Região Norte, as publicações utilizavam termos populares da atividade extrativista, como “Dono De Garimpo”, “Enviar Ao Brasil” e hashtags estratégicas como #garimpo e #ouro.

Os vendedores, que afirmavam representar uma fábrica na província de Guizhou, na China — empresa cuja existência jurídica não foi confirmada pelas autoridades —, exigiam um pedido mínimo de 200 quilos de mercúrio. Após a atração inicial via TikTok, incentivada pelo próprio algoritmo de recomendação da rede, as negociações migravam para aplicativos de mensagens privadas. A investigação identificou forte interação de usuários brasileiros perguntando sobre preços e logística de entrega.

Ameaça Direta à Amazônia e às Populações Tradicionais

O avanço desse comércio ilegal atinge diretamente o bioma amazônico. O mercúrio é amplamente empregado na separação do ouro, mas a manipulação incorreta despeja toneladas do metal pesado nos cursos d’água da região. O elemento acumula-se na cadeia alimentar aquática, intoxicando peixes e gerando graves problemas neurovegetativos para comunidades ribeirinhas e povos indígenas.

Na portaria que formalizou o inquérito, publicada no Diário Oficial do MPF, o órgão vinculou a entrada da substância à crise humanitária vivida em terras indígenas do Norte, cenário que já atrai a atenção de órgãos como a Comissão e a Corte Interamericana de Direitos Humanos.

A apuração vai avaliar a responsabilidade da plataforma TikTok na veiculação dos anúncios, que violam as próprias diretrizes internas da rede sobre produtos perigosos, além de contrariar a Convenção de Minamata e as regras de controle de importação fiscalizadas pelo Ibama.

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