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Isenções fiscais da Suframa reduzem impactos de aumentos tarifários dos EUA

Apesar da sobretaxa de 25% imposta pelos EUA a produtos brasileiros, o forte viés voltado ao mercado interno e o superávit americano no comércio bilateral blindam o Polo Industrial de Manaus de danos diretos

O anúncio do governo dos Estados Unidos de impor uma sobretaxa de 25% sobre uma série de produtos importados do Brasil acendeu o alerta na economia nacional, mas deve ter um impacto apenas “marginal” e indireto na Zona Franca de Manaus (ZFM). A avaliação é de representantes do setor produtivo e de órgãos de desenvolvimento do Amazonas, que apontam a dinâmica da balança comercial e o foco no mercado interno como os principais fatores de proteção do estado.

A medida da gestão de Donald Trump poupou 2,1 mil itens de uma lista de exceções — que inclui carne, café, laranja e componentes aeronáuticos —, mas impõe desafios geopolíticos ao país.

O escudo da balança comercial

Uma nota técnica divulgada pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti) aponta que a relação comercial entre o Amazonas e os EUA é historicamente favorável aos americanos. No primeiro semestre deste ano, a ZFM registrou US$ 625 milhões em importações vindas dos EUA, contra apenas US$ 35,3 milhões em exportações para o país norte-americano.

“Os EUA mantêm um superávit expressivo no comércio bilateral com a ZFM, o que significa que uma ‘guerra comercial’ tende a ser mais desfavorável a eles e relativiza ainda mais qualquer efeito negativo à economia amazonense”, destacou a Sedecti.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, reforça que o modelo da ZFM foi desenhado para abastecer o mercado nacional. Segundo ele, as vendas para o mercado americano representam uma fatia muito reduzida do faturamento do Polo Industrial de Manaus (PIM).

“A nossa cadeia produtiva encontra-se protegida da taxação direta não por força de incentivos fiscais, mas pela própria dinâmica da nossa balança comercial com aquele país”, explicou Silva. Ele ponderou, contudo, que o modelo de isenção local não tem alcance jurídico para anular tarifas alfandegárias aplicadas soberanamente no destino.

Os riscos indiretos: Dólar e instabilidade

Se por um lado o impacto direto é considerado nulo ou baixo, o setor produtivo teme os efeitos colaterais na economia brasileira. O principal receio da Fieam gira em torno da volatilidade cambial e do aumento do risco-país. Uma valorização contínua do dólar, motivada por tensões diplomáticas, pode encarecer a importação de insumos estrangeiros essenciais para a produção em Manaus.

O comportamento da Casa Branca também foi criticado pelo diretor-presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas (Fecomércio-AM), Aderson Frota, que classificou a postura de Trump como “instável”.

“Ao mesmo tempo que quer ser aliado, depois quer ser algoz. Uma hora parte para a agressão, depois recua. Esse tarifaço vai criar grandes embaraços. Nós temos que ver o que repercute disso: aumento de custos e de preço atinge a população. É inexplicavelmente injusto”, pontuou Frota.

O líder do comércio amazonense afirmou que o foco do segmento agora é a criatividade e o equilíbrio de custos para garantir que a economia continue girando e, principalmente, para evitar o desemprego na região.

Monitoramento permanente

A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) informou que está acompanhando de perto os desdobramentos do anúncio e os possíveis reflexos na economia nacional. A autarquia ressaltou que ainda é prematuro cravar a extensão real dos impactos, que dependerá da regulamentação definitiva das tarifas e da reação dos mercados globais.

Ainda assim, a Suframa admite que indústrias locais integradas a cadeias globais de suprimentos ou com forte relação com o mercado norte-americano podem sentir reflexos na reorganização de fluxos comerciais ou em suas estratégias de investimento. A superintendência garantiu que manterá um canal de diálogo aberto com o Governo Federal e entidades empresariais para monitorar a competitividade da região e propor medidas de preservação do ambiente de negócios.

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