Manaus não tem mais capacidade para receber venezuelanos, diz Arthur

O prefeito Arthur Neto disse na tarde de ontem (25) que apesar de Manaus ter sido considerada uma cidade-modelo, tendo recebido uma menção honrosa do Acnur por acolher os venezuelanos de maneira modelo, a cidade não teria mais capacidade de abrigar fugitivos.

De acordo com dados da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (Semasc), são, pelo menos, 550 venezuelanos residindo em abrigos na capital atualmente.

“Temos 2 milhões de habitantes em Manaus, e nós não conseguimos atender a tantas pessoas de maneira adequada. Pode ser que consigamos em um momento, mas não teremos condições indefinidas de continuar oferecendo refúgio aos venezuelanos. O que é inevitável é que a imigração venezuelana venha para Roraima, de Roraima para o Amazonas, e do Amazonas para todo o Brasil, até o Rio Grande do Sul”, afirma.

Arthur Neto, que também é diplomata de carreira do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e já foi conselheiro especial da Embaixada do Brasil em Portugal, acredita que a crise política na Venezuela culminará, enfim, com a destituição de Nicolás Maduro. Ele apresenta quatro caminhos possíveis: a renúncia, a deposição, o suicídio e, por fim, o assassinato de Maduro.

“Se nenhuma dessas possibilidades acontecerem, o ditador vira um réprobo, uma figura marginal no mundo inteiro. O mundo ocidental não tem mais qualquer clima para ditaduras. Maduro é uma réplica malfeita de Hugo Chávez, e simplesmente terminou de liquidar com todas as perspectivas econômicas da Venezuela. Juan Guaidó agiu corretamente, porque não havia legitimidade na atual presidência da Venezuela, e ele está disposto a começar um processo de normalização no país.”

Para Arthur, a situação política atual na Venezuela já configura uma possível guerra civil, com a repressão pelos aparelhos do Estado. “A Venezuela vive uma situação de assassinatos diários,

Com a crise política cada vez mais latente na Venezuela, o aumento da repressão estatal aos opositores e a iminência de uma guerra civil, não é difícil imaginar uma imigração ainda mais desenfreada para territórios vizinhos ao país, como a Colômbia e o Brasil, mais especificamente, para os estados do Amazonas e Roraima.

Segundo dados da Superintendência da Polícia Federal no Amazonas, fornecidos pelo escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), em Manaus, de 2017 a dezembro de 2018, foram registradas 13 mil solicitações de refúgio. O número, no entanto, não reflete a realidade, de acordo com o chefe do escritório do Acnur, Sebastian Roa.

“Esse número pode ser bem maior, porque muita gente já chega em Manaus documentada, isso é, com a solicitação de refúgio ou residência. O escritório de Boa Vista tem uma estrutura muito maior do que a existente aqui”, afirma Roa.

Desde 2014 vivendo sob um governo ditatorial, a Venezuela corre risco de ter sua situação política e social ainda mais agravada nos próximos dias. Isto porque o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, deputado Juan Guaidó, se autoproclamou presidente interino do país, mesmo com o ditador Nicolás Maduro ainda no poder, na última quarta-feira (23).  

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