Clube nega violações de regras financeiras da Premier League e promete apresentar provas para contestar decisão

O Manchester City deve apresentar, até esta sexta-feira (2), um recurso contra a decisão de uma comissão independente que considerou o clube culpado de violações das regras financeiras da Premier League. O caso abre um novo capítulo em uma das disputas jurídicas mais importantes da história recente do futebol inglês.
O clube nega qualquer irregularidade e pretende contestar as conclusões de que teria utilizado contratos comerciais considerados fictícios para inflar receitas e subestimar custos em mais de 900 milhões de libras (cerca de R$ 6,2 bilhões) ao longo de quase uma década.
O Manchester City afirma ter um conjunto de “provas irrefutáveis” para limpar seu nome. A expectativa é que a defesa argumente que o governo de Abu Dhabi — e não os proprietários do clube — financiou parte dos acordos de patrocínio questionados.
A Federação Inglesa de Futebol (FA) informou que acompanha de perto o caso.
“A decisão da Comissão Independente tem implicações significativas para a integridade do esporte”, afirmou a entidade em comunicado divulgado nesta sexta-feira.
“Estamos analisando cuidadosamente a decisão e suas implicações e tomaremos medidas quando for apropriado”, acrescentou.
Recurso pode prolongar disputa judicial
As novas regras de tramitação acelerada da Premier League determinam que uma audiência de recurso seja realizada em até 12 semanas após a apresentação do pedido. A decisão deve ser divulgada em até 30 dias depois do encerramento da audiência.
O Manchester City, porém, deve argumentar que essas regras não estavam em vigor quando o clube foi formalmente acusado, em fevereiro de 2023.
Caso pode ter consequências além do futebol
Os desdobramentos da investigação podem ultrapassar as sanções esportivas. Na quinta-feira (1º), a presidente do Comitê do Tesouro do Parlamento britânico, Meg Hillier, questionou a autoridade tributária do Reino Unido (HMRC) sobre as medidas que pretende adotar diante das conclusões da Premier League.
Hillier afirmou ter escrito ao secretário permanente da HMRC, JP Marks, após a divulgação, na terça-feira (29), da decisão da comissão independente. O documento concluiu que o clube cometeu “bem mais de 100 violações individuais das regras da Premier League ao longo de várias temporadas”.
Advogados especializados em direito esportivo preveem que o caso ainda poderá gerar anos de disputas judiciais. Clubes rivais, jogadores e agentes avaliam se há fundamentos para entrar com pedidos de indenização relacionados às irregularidades apontadas.


