
O Manchester City foi considerado culpado de quase todas as 115 acusações relacionadas a violações dos regulamentos financeiros da Premier League. A liga inglesa ainda não emitiu comunicado oficial sobre o assunto, mas a notícia foi publicada nesta sexta-feira (25) por diferentes veículos da imprensa da Inglaterra. O time foi acusado, em fevereiro de 2023, de violar as regras financeiras da Premier League — mais de 100 vezes durante nove anos. A investigação que levou à acusação durou quatro anos. O caso foi então encaminhado para uma comissão independente da liga.
As supostas violações financeiras teriam ocorrido entre 2009 e 2018. O clubes foi acusado de ter violado as regras da liga que exigem “a melhor fé” na hora de declarar informações “que forneçam uma visão verdadeira e justa da posição financeira do clube”. A comissão independente da Premier League decidiu contra o clube, em acusações sobre o fornecimento de informações financeiras imprecisas, o superfaturamento de contratos de patrocínio ligados aos proprietários do City, de Abu Dhabi, e a não divulgação de pagamentos a jogadores e ao ex-técnico Roberto Mancini.
- As violações sobre não fornecer informações precisas sobre a situação financeira do clube vão de 2009/10 a 2017/18.
- A falta de detalhamento sobre o pagamento do técnico no contrato firmado se deu entre 2009/10 e 2012/13. O treinador na época era Roberto Mancini. A não inclusão de detalhes na remuneração de jogadores ocorreu entre 2010/11 e 2015/16.
- O City não teria cumprido as regulamentações da Uefa, incluindo de licenciamento e de Fair Play, entre 2013/14 e 2017/18.
- O clube não aplicou as regras da Premier League para rentabilidade e sustentabilidade entre 2015/16 e 2017/18.
- O Manchester City não teria colaborado com as investigações da Premier League desde 2018 até hoje, ao não fornecer de boa vontade documentos e informações.
O City só não foi considerado culpado de uma acusação. As sanções ainda não foram definidas, e a expectativa é de que o clube recorra da decisão. O Manchester City sempre negou as infrações. Outros clubes da Premier League foram informados da decisão em reunião na quinta-feira (24).
— O processo da Premier League continua em andamento, com etapas importantes a serem concluídas e sujeito a rigorosa confidencialidade. O clube respeitou diligentemente o devido processo legal ao longo de oito anos, partindo do princípio de que o conselho e a diretoria da Premier League agiriam como um órgão regulador independente, imparcial e justo, livre de influências partidárias — declarou um porta-voz do City.
De acordo com o regulamento da Premier League, as possíveis punições vão de multas, passando pela perda de pontos no Campeonato Inglês, suspensões e até a expulsão da liga. O regulamento não fala explicitamente sobre a retirada de títulos conquistados, mas há uma subcláusula que deixa claro que pode haver uma combinação de sanções, ou a aplicação de “qualquer outra penalidade que se julgue adequada”. Portanto, a comissão independente da Premier League, que julgou o caso, pode propor qualquer punição que considere apropriada.
Além disso, a dedução de pontos poderia ser aplicada no momento da decisão ou retroativamente, o que geraria a possibilidade de o City perder troféus. Durante o período em questão, entre 2009 e 2018, o Manchester City conquistou três títulos da Premier League, um da Copa da Inglaterra, três da Copa da Liga Inglesa e duas Supercopas da Inglaterra.
Nenhum outro clube foi acusado no passado de tantas violações financeiras como o Manchester City agora, mas existem precedentes relacionados às regras de lucratividade e sustentabilidade. O Everton, por exemplo, foi punido com a perda de 10 pontos, mas essa dedução diminuiu para seis pontos após apelação por parte do clube. Nottingham Forest e Leicester também já sofreram com isso em anos recentes.


