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Mercado imobiliário: financiamentos avançam 23% no país e impulsionam a demanda no Amazonas

Crescimento foi puxado por recursos da poupança, apesar de queda na captação da caderneta, graças às novas regras do setor.

Mesmo em um cenário econômico desafiador e marcado por taxas de juros elevadas, o mercado de crédito imobiliário brasileiro registrou um forte crescimento no primeiro semestre deste ano. As concessões para aquisição e construção de imóveis somaram R$ 180,9 bilhões, uma alta de 23% em comparação aos R$ 147,1 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.

De acordo com levantamento da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), aproximadamente 850 mil imóveis foram financiados nos primeiros seis meses do ano, somando operações com recursos da caderneta de poupança, do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e de outras fontes. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (30).

A principal alavanca desse desempenho veio dos financiamentos lastreados na caderneta de poupança, cujas concessões saltaram 28,5%, atingindo R$ 93,7 bilhões. O crescimento chama a atenção por ter ocorrido em paralelo à retração dos depósitos na caderneta, que acumula seis meses consecutivos de saques líquidos e uma queda de 0,31% no saldo total no semestre.

A sustentação dessa oferta de crédito foi viabilizada por uma mudança regulatória promovida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Pela regra vigente desde o final do ano passado:

Como funciona o incentivo: Para cada R$ 1,00 da poupança direcionado ao crédito habitacional, a instituição financeira ganha o direito de utilizar livremente o mesmo valor captado por um período de cinco anos — flexibilizando a regra anterior, que retinha obrigatoriamente 20% no Banco Central como depósito compulsório e destinava 65% ao financiamento habitacional.

Minha Casa, Minha Vida Move as Concessões via FGTS

Outro pilar fundamental do semestre foi o investimento com recursos do FGTS, que somou R$ 77,6 bilhões (alta de 22%). Esse avanço reflete diretamente a força dos programas habitacionais populares, com destaque para o Minha Casa, Minha Vida, que absorve grande parte da demanda de média e baixa renda em todo o país. Por outro lado, os financiamentos com recursos livres recuaram 8%, fechando o semestre em R$ 9,6 bilhões.

Panorama no Amazonas: Força no Segmento Econômico e Expansão Urbana

No estado do Amazonas, o comportamento do mercado reflete a dinâmica nacional, com protagonismo acentuado das operações impulsionadas pelo FGTS e pela habitação de interesse social, especialmente na Região Metropolitana de Manaus.

  • Demanda Aquecida em Manaus: A capital amazonense concentra a maior fatia dos financiamentos habitacionais do estado. O déficit habitacional local e o crescimento contínuo de novos bairros e complexos residenciais mantêm a procura por novos imóveis em níveis elevados.
  • Impacto do Minha Casa, Minha Vida: Com as faixas de renda atualizadas e subsídios do programa federal, as contratações com recursos do FGTS no Amazonas registraram forte tração no segmento de entrada, compensando o custo mais alto do crédito tradicional.
  • Adaptação do Mercado Local: Construtoras e incorporadoras que atuam na região ajustaram seus lançamentos para focar em empreendimentos que se enquadram nas linhas de incentivo público, garantindo liquidez nas vendas mesmo diante de taxas de juros mais restritivas no crédito livre.

Segundo o presidente da Abecip, Michel Cury, o balanço do primeiro semestre evidencia tanto a resiliência da demanda habitacional quanto a capacidade de adaptação do sistema financeiro. A combinação entre flexibilização regulatória e investimentos em programas sociais tem garantido o fluxo de recursos necessário para atender à necessidade de moradia nas diversas regiões do país.

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