
O Rio Negro registrou cota de 17,99 metros no Porto de Manaus marcando o avanço do período de vazante com ritmo de descida considerado normal para esta época do ano, segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), divulgado nesta quinta-feira (8). Embora o recuo das águas ocorra em grande parte da Bacia do Amazonas dentro dos patamares de estabilidade, a previsão de chuvas abaixo da média para as próximas semanas tem acendido o sinal de alerta no setor produtivo local.
Empresários amazonenses expressam preocupação com os potenciais impactos logísticos na região, receosos de que a estiragem severa volte a encarecer o frete e prejudicar o abastecimento de insumos para o Polo Industrial de Manaus e a distribuição de mercadorias.
Cenário das bacias hidrográficas no Amazonas
O monitoramento do SGB aponta um comportamento heterogêneo entre as calhas dos rios no estado, refletindo o acumulado de precipitações das últimas semanas:
- Alto Solimões e Purus: Os rios em Tabatinga e Fonte Boa dão sinais de estabilização, indicando o possível fim da vazante no Alto Solimões. Em Coari, Manacapuru e Beruri (Purus), o recuo segue o padrão sazonal esperado.
- Cabeceiras do Rio Negro: Em São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos, a água mantém a tendência de descida típica da estação.
- Madeira e Tapajós: Os níveis permanecem constantes nas regiões de Porto Velho e Humaitá, assim como em Itaituba (PA).
- Calha do Rio Amazonas: Declínio contínuo observado em Itacoatiara, Parintins, Óbidos e Careiro.
De acordo com o 40º Boletim de Monitoramento Hidrológico — elaborado com dados da Rede Hidrometeorológica Nacional da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) —, o volume de chuva nos últimos 30 dias ficou abaixo da média histórica em bacias como as dos rios Branco, Juruá e Purus. O SGB prevê atenção especial para as áreas do Baixo Rio Negro e Baixo Solimões nas próximas semanas. Diante das oscilações climáticas, dados da Defesa Civil do Amazonas indicam que 29 municípios do estado estão atualmente em situação de emergência, 16 em estado de alerta e 15 em situação de atenção.
Força das hidrovias no transporte de cargas no Brasil
Em paralelo aos desafios impostos pela sazonalidade dos rios, o transporte aquaviário brasileiro encerrou 2025 com o maior volume de produção dos últimos cinco anos, totalizando 374,6 bilhões de Toneladas-Quilômetros Úteis (TKU) — alta de 9,81% em relação a 2024, segundo estudo bienal da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
As hidrovias do Norte continuam sendo os principais corredores logísticos do país:
| Corredor Fluvial | Participação / Destaque em 2025 | Crescimento (vs 2024) |
| Hidrovia do Baixo Amazonas | Respondeu por 63,95% da movimentação da navegação fluvial (cabotagem e longo curso) | — |
| Hidrovia do Madeira | Movimentou 12,80 bilhões de TKU (30% da navegação interior nacional) | + 20,92% |
| Navegação Interior Total | Alcançou 42,70 bilhões de TKU no país | + 21,06% |
O TKU é a unidade de medida padrão para avaliar a produção do transporte de cargas, correspondendo ao deslocamento de uma tonelada pelo percurso de um quilômetro.
Comparativo com a malha ferroviária e outros modais
Ao somar a navegação interior com o transporte por cabotagem entre portos nacionais, o setor aquaviário atingiu 329,62 bilhões de TKU em 2025, um avanço de 8,18%. No mesmo período, o transporte ferroviário brasileiro registrou 408,20 bilhões de TKU, apresentando alta de 2,50%. A Antaq ressalta que a comparação avalia a produção total de carga e distância percorrida por cada modo, sem constituir uma análise direta de eficiência ou custos operacionais.
Em outras regiões do país, os modais fluviais apresentaram desempenhos opostos: enquanto o Rio Paraguai teve um salto de 195,04% na movimentação de cargas, a Hidrovia Paraná–Tietê registrou retração de 31,77%. O avanço contínuo do transporte pelas águas reforça a urgência de investimentos em dragagem e sinalização no Amazonas para garantir a navegabilidade nos períodos de seca e proteger a competitividade da indústria e do comércio regional.


