
Dos 693.683 registros de nascimento emitidos entre 2016 e 2025 no Amazonas, 66.240 foram feitos sem o nome dos pais – o equivalente a 9,5% do total. Em 2025, foram 82.671 nascimentos com 8.200 ausências de pais nos registros amazonenses, cerca de 10% do total. A média nacional ficou em 7%, com 173.748 ausências paternas em 2.509.488 registros de nascimentos.
Os dados são do Portal da Transparência da Arpen-Brasil (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais). Em todo o país, dos 27.129.155 nascimentos registrados no período, 1.644.528 não tiveram o nome do pai incluído nas certidões.
O reconhecimento de paternidade envolve histórias de busca pelo vínculo familiar registrada pela DPE (Defensoria Pública do Amazonas) com a campanha “Eu Tenho Pai”. A DPE oferece exames gratuitos de DNA e orientação jurídica para reconhecimento voluntário ou investigação de paternidade.
Para a campanha desse ano foram abertas 870 vagas para atendimentos, sendo 620 na capital e 250 no interior. Em Manaus, o mutirão teve início no dia 24 com a realização de 120 atendimentos virtuais para atender pessoas que não podem comparecer presencialmente por questões de trabalho, locomoção ou residência em outro município. Outros 500 atendimentos foram agendados para este sábado.
A defensora pública Sarah Lobo, coordenadora da Área de Família e da campanha, disse que há uma procura grande da população pelos serviços oferecidos durante o mutirão.
“Esse tipo de campanha é relevante porque leva ao debate público a importância do reconhecimento da paternidade. O Brasil tem um grande número de crianças sem o pai registrado. O Amazonas tem um número acima da média, a média nacional é de 7%. No Estado, no ano passado, 10% das crianças foram registradas sem o nome do pai. É um número muito alto e que tem uma série de consequências legais”, ressaltou.
Conforme Sarah Lobo, a ausência do registro paterno é um problema familiar e social. “O mutirão Eu Tenho Pai visa justamente contribuir para a redução dessas estatísticas de pessoas registradas sem o nome do pai”, disse a defensora.


