
O uso de embarcações semissubmersíveis pelo narcotráfico na Amazônia foi destacado como uma ameaça crescente pela coordenadora regional do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), Francesca Caonero. O alerta foi feito durante a VI Reunião Tripartite sobre aplicação da lei nos rios da Bacia Amazônica, realizada em Belém (PA) e confirmada pela Agência Marinha de Notícias.
Segundo a representante da ONU, o emprego dos chamados “submarinos do tráfico” indica uma mudança no padrão de atuação das organizações criminosas. “Esses grupos estão adotando meios cada vez mais sofisticados, o que exige respostas mais integradas e atualizadas das forças de segurança”, afirmou. Ela também apontou a expansão das rotas para países como Suriname e Guiana.
O encontro reuniu autoridades do Brasil, Colômbia e Peru para discutir estratégias de combate ao narcotráfico. Durante a agenda, os participantes visitaram um semissubmersível apreendido pela Marinha em 2025, no arquipélago do Marajó — o primeiro localizado ainda em construção no país.
Com 18 metros de comprimento e 3 metros de largura, a embarcação artesanal possui engenharia sofisticada. A PF estima que o semissubmersível possa transportar até sete toneladas de cocaína, com autonomia de 10 mil quilômetros — distância suficiente para uma travessia direta do Marajó até a Europa. A estrutura em fibra de vidro e a cor azul dificultam a detecção por radares e a observação visual no oceano.
A detecção ocorreu com apoio de imagens de satélite e inteligência artificial.
Casos semelhantes já foram registrados, incluindo apreensões no Pará e no Oceano Atlântico, reforçando o desafio das autoridades no enfrentamento ao crime organizado na região.


