Operação Seca 2026: Super Terminais envia módulo para descarregar navios.Peça de 600 toneladas foi desacoplada da estrutura do porto em Manaus deve chegar ao município vizinho até sábado

O porto privado Super Terminais despachou nesta sexta-feira (2) um módulo flutuante de 600 toneladas rumo ao município de Itacoatiara (a 180 km de Manaus). A estrutura, que integra a Operação Seca 2026, será utilizada no transbordo de cargas de navios para balsas de menor calado, capazes de navegar pelo rio Negro durante a estiagem extrema e abastecer a capital amazonense.
A estratégia busca impedir o desabastecimento da Zona Franca de Manaus (ZFM) e do comércio local, mitigando um cenário de retração econômica que afeta diretamente empresários, comerciantes e a população. Para o setor produtivo, a seca representa o aumento nos custos logísticos com fretes e sobretaxas, além do risco de paralisação nas linhas de produção por falta de insumos. No comércio, o atraso na entrega de mercadorias reduz a oferta de produtos e encarece as prateleiras, pressionando a inflação local. Já a população enfrenta o desemprego temporário, o encarecimento da cesta básica e dificuldades severas no transporte fluvial diário e no acesso a serviços essenciais nas comunidades do interior.
Segundo o diretor-geral da Super Terminais, Marcello Di Gregorio, o módulo flutuante levará até 24 horas para chegar ao destino. Esta é a segunda vez que a empresa adota a medida — a primeira foi em 2024, ano marcado pela pior seca da história da região, cujos impactos foram parcialmente contidos pelo transbordo prévio.
“Estamos indo para Itacoatiara muito mais preparados do que em 2024. Aprendemos com aquela operação e conseguimos aumentar a nossa capacidade em aproximadamente 15%. Saímos de cerca de 2,6 mil movimentos por semana para uma capacidade de 3 mil a 3,1 mil movimentos semanais. Isso representa mais eficiência, segurança logística e capacidade para proteger a produção da Zona Franca de Manaus”, afirmou Di Gregorio.
O executivo ressaltou que esta é a terceira estiagem severa enfrentada pelo setor nos últimos quatro anos, alertando que medidas contingenciais não podem ser transformadas em rotina. A operação emergencial envolverá o deslocamento temporário de 150 funcionários de Manaus para Itacoatiara, além da contratação de 60 trabalhadores locais do Porto Verde.
Rebocado por barcos, o módulo conta com os três primeiros guindastes elétricos do mundo e faz parte de um investimento de R$ 70 milhões realizado pela empresa. Em 2024, a estrutura em Itacoatiara atendeu 27 navios e movimentou mais de 33 mil contêineres (cerca de 840 mil toneladas de carga).
Regulação da “Taxa da Seca”
Paralelamente às soluções logísticas, a cobrança da Low Water Surcharge (LWS), conhecida como “taxa da seca”, segue sob rigoroso monitoramento do setor empresarial. O gerente-geral da Norcoast, Otávio Cabral, esclareceu que as indústrias de Manaus e do Rio de Janeiro estão alinhadas às diretrizes da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), que determinou que a sobretaxa só poderá incidir se o nível do rio Negro ficar abaixo de 17,7 metros.
O posicionamento ocorre após a Antaq rejeitar o pedido da armadora CMA CGM do Brasil para aplicar uma taxa de US$ 753 por TEU (unidade padrão de contêiner) a partir do início de setembro. A Associação Comercial do Amazonas (ACA) acompanha as negociações. O presidente da entidade, Bruno Pinheiro Loureiro, destacou que a decisão fixa um precedente regulatório importante, assegurando que sobretaxas dependam de análise prévia e aprovação técnica do órgão regulador.
Grupo Chibatão reforça estrutura no Tabocal
Outra gigante do setor, o Grupo Chibatão, também antecipou suas ações de mitigação instalando, ainda em setembro, um píer provisório na região do Tabocal, em Itacoatiara — um dos trechos mais críticos para a navegação no período de estiagem. A estrutura está posicionada e pronta para iniciar as operações de transbordo e baldeação a partir de outubro, caso o ritmo de descida das águas exija. Na seca de 2024, a mesma estrutura do grupo movimentou quase 59 mil contêineres na localidade.
Nível do rio Negro e projeções
Nesta sexta-feira (2), o nível do rio Negro no Porto de Manaus recuou 14 centímetros, atingindo a marca de 18,59 metros. Embora o ritmo de descida tenha desacelerado em relação às semanas anteriores — quando registrou quedas de até 22 centímetros por dia —, projeções do Serviço Geológico do Brasil (SGB) apontam que o rio pode cruzar a cota limite de 17,7 metros até o final de outubro.
O cenário base do SGB prevê que as águas alcancem 16,50 metros ao longo do mês. Uma queda mais severa, próxima aos 12,31 metros registrados em 2015, é considerada uma possibilidade remota no momento, dado o padrão atual das medições.


