
Um relatório sigiloso da Polícia Federal de quase duzentas páginas, foi enviado ao Supremo Tribunal Federal, há sete meses, e apresenta uma série de suspeitas envolvendo o ministro Dias Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O documento, denominado Informações de Polícia Judiciária de Análise nº 893171/2026 e elaborado a partir do conteúdo do telefone celular do empresário apreendido no final de 2025, levanta a hipótese de que o magistrado possa ser o “beneficiário final” ou “proprietário de fato” do Fundo de Investimentos em Participações (FIB) Arleen.
O fundo recebeu ao menos R$35 milhões de Vorcaro e teve seus ativos transferidos para uma holding nas Ilhas Virgens Britânicas, tradicional paraíso fiscal no Caribe, segundo reportagem de Breno Pires da revista piauí.
De acordo com o levantamento dos investigadores, o fundo Arleen era sócio do Tayayá Aqua Resort, empreendimento localizado em Ribeirão Claro (PR) que pertence a Toffoli e sua família.
De acordo com o levantamento dos investigadores, o fundo Arleen era sócio do Tayayá Aqua Resort, empreendimento localizado em Ribeirão Claro (PR) que pertence a Toffoli e sua família.
O relatório aponta que a estrutura financeira passou por sucessivas alterações estratégicas, mudando de proprietário para as mãos do empresário Alberto Leite, dono da empresa FS Security e amigo do magistrado, que alterou o regulamento para permitir aplicações no exterior e, posteriormente, repassou cerca de R$ 34 milhões para a holding Egide I.
No próprio relatório, a PF diz que “foram identificados diversos elementos no sentido de que o ministro José Antonio Dias Toffoli possa ter figurado como beneficiário final ou proprietário de fato do FIB Arleen, bem como seus ativos”.
A cronologia mapeada pelos agentes federais detalha que os movimentos financeiros se concentraram ao longo de 2025. As mensagens resgatadas expõem apreensão extrema com os aportes voltados ao empreendimento. Sabendo de atrasos na transferência de valor, Vorcaro mobilizou seus operadores o cunhado Fabiano Zettel e o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria, que atuava como interlocutor do banqueiro, para solucionar o travamento de recursos, chegando a procurar diretamente Toffoli. Após ligação com o magistrado, Vorcaro disse ao cunhado que a demora o deixou “em situação ruim”.
No final de 2025, o banqueiro orientou a transferência formal do Arleen para Alberto Leite. Na ocasião, Vorcaro pediu a confecção de uma minuta de contrato sem identificação explícita de nomes: “Sem nome”, ordenou.
A segunda vertente de suspeita levantada pela Polícia Federal envolve a possível interferência do banqueiro em julgamentos da Suprema Corte relativos a precatórios do setor sucroalcooleiro.
O Banco Master mantinha uma carteira com mais de R$10 bilhões em tese análoga, tendo interesse direto no desfecho de uma ação movida pela usina Alcídia contra a União. Dias antes do julgamento deste processo, Toffoli deu um posicionamento divergente de sua linha histórica em um caso similar envolvendo a empresa Raízen, votando favoravelmente ao Estado e provocando pânico nos executivos do banco.
Na ocasião, a mudança de comportamento do ministro motivou mensagens alarmadas de Fábio Faria para Vorcaro: “Matou a gente”, “Comecei a suar”. Em resposta, o proprietário do Banco Master afirmou: “Toffoli virou o voto” e “Tô tratando aqui”, enquanto o diretor jurídico da instituição financeira, André Kruschewsky, ofereceu atuação para retirar a pauta do julgamento.
Na sessão definitiva, Toffoli retornou ao entendimentos de apoiar a tese da usina contra a União, assegurando o resultado favorável. Assim que a decisão de aplacou, Vorcaro foi notificado e comemorou repassando a notícia a Paulo Sérgio Neves, diretor do Banco Central.


