
Mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) revelam a atuação de dirigentes do União Brasil em articulações que favoreceram o acesso do Banco Master a institutos de previdência estaduais, com forte envolvimento no Amazonas. Reveladas pelo UOL nesta sexta-feira (16), as investigações apontam que o presidente da legenda, Antônio Rueda, e o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, usaram sua influência política para intermediar captações milionárias de fundos públicos de aposentadoria.
As articulações e o foco no Amazonas
De acordo com os relatórios da PF, o Amazonas esteve no centro do roteiro de negociações do banco para expandir a captação de recursos previdenciários:
- Roteiro de voos executivos: Em novembro de 2023, executivos do Master e Rueda viajaram no avião particular do controlador do banco, Daniel Vorcaro, em uma rota de reuniões que incluiu passagens por Manaus e Rondônia.
- Projeção de R$ 250 milhões: Em planilhas e trocas de mensagens ocorridas em julho de 2024, executivos da instituição financeira mapeavam negociações ativas pelo país, incluindo uma projeção de R$ 250 milhões no Amazonas.
- Operação autorizada: O material indica a efetivação de repasses da previdência amazonense. Em junho de 2024, diálogos citavam uma operação de R$ 50 milhões na Amazonprev. A autorização foi assinada por um gestor que havia assumido a presidência do órgão estadual há apenas 28 dias — profissional que atuou como contador da campanha de reeleição do governador Wilson Lima (União Brasil).
- Conexões de influência: Em mensagens de julho de 2025, intermediários do banco apontavam que as investidas no estado tinham facilidade de avanço por compartilharem o mesmo grupo de influência política de Rondônia, citando Rueda como elo central.
Proposta de delação e repasses a escritórios
Em proposta de delação premiada — posteriormente rejeitada pela PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) —, Daniel Vorcaro afirmou que Rueda e ACM Neto atuavam para liberar aplicações de fundos de aposentadoria em troca de comissões de 10%. Documentos mostram que o Master transferiu R$ 6,4 milhões a escritórios advocatícios ligados a Rueda e R$ 5,4 milhões a uma consultoria de ACM Neto.
Apesar das citações a porcentagens e intermediários, os relatórios da PF indicam que as mensagens analisadas até o momento não comprovam o repasse direto de comissões de 10% aos políticos.
O que dizem os citados
- Antônio Rueda: Afirma que sua relação com o Master foi estritamente profissional, com serviços advocatícios prestados, notas fiscais emitidas e impostos pagos. Criticou o vazamento de trechos fora de contexto e disse que adotará medidas judiciais.
- ACM Neto: Classificou as informações como manipuladas e seletivas, negando interferência em órgãos federais, no Ministério da Previdência ou direcionamento de fundos. Afirmou que seus contratos de consultoria foram regulares e declarou estar à disposição da Justiça desde março de 2026.
- Governo do Amazonas e Amazonprev: A apuração da PF busca esclarecer as circunstâncias da operação de R$ 50 milhões e se houve favorecimento ou vantagens indevidas nas decisões tomadas pela gestão do fundo estadual.


