
Atividades geram 129.423 empregos no país. Os dados, referentes a 2025, estão disponíveis no Portal de Minerais Críticos e Estratégicos da Agência Nacional de Mineração , lançado nesta quarta-feira (14). O mercado de trabalho relacionado aos MCE registra crescimento de 8,6% entre 2023 e 2025.
O novo Portal de Minerais Críticos e Estratégicos (MCE), lançado pela Agência Nacional de Mineração (ANM), traz um raio-x completo do mercado de trabalho do setor no país e disponibiliza ferramentas para consultas detalhadas por unidades da Federação — incluindo o estado do Amazonas —, municípios e substâncias. A plataforma visa dar transparência aos dados de empregos, remunerações e perfis profissionais ligados a insumos essenciais para a transição energética e a tecnologia global.
No Amazonas, o setor de mineração de Minerais Críticos e Estratégicos (MCE) — insumos fundamentais para a transição energética, tecnologias avançadas e fabricação de baterias (como terras raras, cobre, níquel e outros elementos) — vive um momento de forte expectativa voltada para a etapa de pesquisa, prospecção e regulamentação, diferentemente de estados com forte tradição de lavra em larga escala (como Pará e Minas Gerais).
Com o lançamento do Portal de Minerais Críticos e Estratégicos pela Agência Nacional de Mineração (ANM), o estado passou a integrar uma base de dados centralizada que permite o monitoramento transparente de:
1. Situação Atual e Potencial
- Foco em Pesquisa: O Amazonas possui expressivas áreas de interesse geológico mapeadas para minerais estratégicos e terras raras. No entanto, grande parte dos projetos no estado encontra-se em fase de requerimento de pesquisa ou autorização de pesquisa, o que significa que o setor na região está predominantemente na etapa de estudos de viabilidade técnica e ambiental, e não em exploração comercial massiva imediata.
- Desafios Ambientais e Logísticos: A exploração esbarra em rigorosos debates sobre licenciamento ambiental na Amazônia, preservação de biomas sensíveis e a necessidade de infraestrutura logística adequada.
2. Empresas que Atuam na Área
- O setor de pesquisa mineral no Amazonas atrai o interesse de empresas juniores de mineração, companhias de capital aberto de exploração (juniors mining companies) e holdings de investimentos voltadas para minerais verdes e de transição energética.
- Nota regulatória: Como o volume de lavra em operação comercial ativa para minerais críticos no estado ainda é incipiente se comparado a polos tradicionais do país, o detalhamento nominal por mineradoras produtoras locais de grande porte costuma aparecer de forma pontual nos relatórios da ANM condicionados aos alvarás de pesquisa vigentes.
3. Empregos
- Enquanto o Brasil registra 129.423 empregos formais diretos vinculados a Minerais Críticos e Estratégicos (o que representa 57% de toda a indústria extrativa mineral do país), no Amazonas a parcela desses postos formais na extração mineral é menor do que nos gigantes minerais (como Parauapebas-PA ou municípios mineiros).
- Os empregos gerados no Amazonas estão concentrados sobretudo em equipes técnicas de geologia, consultorias ambientais, engenharia de minas e quadros de apoio logístico para as empresas de prospecção. Dados individualizados e georreferenciados por município ou substância exata no estado podem ser consultados diretamente pelos filtros do novo portal da ANM.
4. Tributos e Arrecadação (CFEM)
- Como o Amazonas possui baixa extração comercial efetiva de minerais críticos em comparação com outras commodities minerais do país, os valores arrecadados via CFEM (Compensação Financeira pela Exploração Mineral) — os “royalties” da mineração — oriundos especificamente de MCE no estado ainda são modestos.
- A maior parte da arrecadação minerária do estado historicamente provém de outras substâncias (como argila, brita e materiais para construção civil ou caulim, dependendo da jazida ativa). À medida que os requerimentos de pesquisa avançarem para fases de lavra efetiva e industrialização, projeta-se um incremento na arrecadação de tributos locais e federais.
Panorama nacional da indústria extrativa e dos MCE
De acordo com os dados referentes a 2025 compilados no portal, as atividades associadas a Minerais Críticos e Estratégicos somam 129.423 postos de trabalho, o equivalente a 57% de todas as 226.634 vagas da indústria extrativa mineral brasileira. O mercado de trabalho da área registrou um crescimento de 8,6% entre 2023 e 2025.
- Qualificação e escolaridade: Do total de empregos em MCE, 51.714 são de mão de obra qualificada (23% da indústria extrativa). Trabalhadores com ensino superior somam 30.707, representando 14% do total do setor no país.
- Distribuição por gênero: Os homens respondem pela maior fatia dos postos, com 100.765 vagas (78%), enquanto as mulheres ocupam 28.658 vagas (22%).
- Remuneração mediana: As medianas salariais variam conforme o grau de instrução. Em 2025, os valores registrados foram de R$ 3.218,08 para o nível fundamental, R$ 4.142,24 para o nível médio e R$ 11.856,16 para profissionais com ensino superior.
Concentração municipal e comparações
O levantamento destaca os municípios brasileiros com maior volume de vínculos formais na atividade. O ranking nacional é liderado por cidades mineiras e paraenses de forte tradição extrativa:
- Parauapebas (PA): 8.234 empregos (71,4% homens e 28,6% mulheres), sendo 1.851 com nível superior.
- Nova Lima (MG): 8.218 empregos (63,3% homens e 36,7% mulheres), com expressiva marca de 4.776 profissionais com nível superior.
- Congonhas (MG): 7.114 empregos (73,2% homens e 26,8% mulheres), contabilizando 1.234 trabalhadores com nível superior.


