
A chegada da primavera nesta terça-feira (22) traz um alerta crítico para o Amazonas: a previsão de um El Niño sem precedentes, projetado como o mais intenso registrado desde 1950. Com temperaturas que podem ultrapassar os 40°C no estado, a escassez de chuvas deve prolongar a estiagem, comprometendo drasticamente a navegabilidade dos rios e afetando diretamente o transporte de passageiros, o escoamento de cargas e a rotina da população ribeirinha.
A Climatempo prevê calor persistente e muito acima da média, com destaque para a região leste do Amazonas. A transição para o período chuvoso na capital, Manaus, entre novembro e dezembro, promete ser pouco clara, o que resultará em uma recuperação lenta dos níveis dos rios. Além do impacto logístico e social nas comunidades locais, o cenário de seca prolongada e calor extremo aumenta severamente o risco de focos de queimadas em todo o centro-norte do país.
A primavera de 2026 promete ser muito quente na maior parte do país, com o elevado risco de ondas de calor. As primeiras ondas de calor da estação já devem ocorrer durante o mês de outubro. As ondas de calor desta primavera serão um dos principais impactos do El Niño no clima no Brasil.
A previsão para a Região Norte é de Região Norte estação seca mais intensa e prolongada, com calor excessivo e chuva abaixo da média em toda a Região, inclusive na faixa norte e costa norte. Destaque para temperaturas muito acima do normal e persistente no leste do Amazonas e no noroeste do Pará.
Pontos de atenção especiais na primavera 2026:
– A deficiência de precipitação esperada para o Pará e para o Amazonas deve comprometer a navegabilidade dos rios, causando transtornos para a população ribeirinha e problemas para o transporte de carga e de pessoas.
– O calor muito acima do normal e a chuva abaixo da média no centro-norte do Brasil vão prolongar o período seco e aumentar o risco para o alastramento de queimadas.
– Os agricultores devem ter atenção redobrada para a necessidade de irrigação especialmente no período inicial da implantação da nova safra de grãos.
– O excesso de calor e a irregularidade da chuva poderão comprometer a produtividade em muitas áreas do Centro-Oeste e do Sudeste do Brasil.
– O risco de ondas de calor aumenta bastante em outubro, especialmente na segunda quinzena, e continua elevado em novembro e em dezembro.
– Aumento do risco de alastramento de focos de fogo por causa do excesso de calor, dias de baixa umidade e falta de chuva.
– A formação de um evento de Zona de Convegrência do Atlântico Sul (ZCAS) durante a primavera de 2026 é muito pouco provável. A ZCAS é um dos principais sistemas meteorológicos provedores de chuva volumosa sobre o Brasil, especialmente para áreas do Norte, do Centro-Oeste e do Sudeste.


