Iniciativa vai conectar produção de agricultores familiares à alimentação de 68 mil estudantes amazonenses.

Conectar a produção de alimentos da agricultura familiar nos territórios amazônicos à merenda oferecida aos estudantes da rede pública de ensino é o foco do Projeto Pirão no Prato. A nova iniciativa é executada pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), com apoio do Fundo Amazônia, administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Ao longo de quatro anos, a proposta contemplará dez municípios do Amazonas: Beruri, Carauari, Eirunepé, Fonte Boa, Itapiranga, Manacapuru, Maraã, Manicoré, Novo Aripuanã e Uarini. O raio de atuação abrange Unidades de Conservação e territórios indígenas.
De acordo com o engenheiro florestal e coordenador do projeto, Eduardo Rizzo, a meta é garantir refeições nutritivas e culturalmente adequadas no ambiente escolar por meio da integração com os produtores locais.
“Em um território onde mais de 87% das escolas operam em zonas rurais ou ribeirinhas, com profundos desafios logísticos, mais do que nutrir estudantes, o projeto atua para emancipar agricultores familiares, incentivando práticas de agricultura de baixo carbono, como as agroflorestas, e inserindo esses produtores de forma competitiva no mercado de compras públicas institucionais.” — Eduardo Rizzo, coordenador do projeto.
A expectativa é beneficiar mais de 10 mil famílias produtoras e cerca de 68 mil estudantes. Para a superintendente-geral adjunta da FAS, Valcléia Lima, os impactos positivos ultrapassam o ambiente escolar e fortalecem as famílias e os territórios envolvidos na produção.
Redução de lacunas no PNAE e frentes de ação
Alinhado ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), o Pirão no Prato aproxima os diferentes elos da cadeia produtiva: quem produz, organiza, compra, prepara e consome os alimentos.
A legislação determina que no mínimo 30% das aquisições para a merenda venham da agricultura familiar. No Amazonas, contudo, dados do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) referentes a 2022 indicam que a execução alcançou apenas 31,5% de um piso que recentemente foi elevado pela legislação para 45%, ficando abaixo das diretrizes exigidas. O projeto surge para apoiar os municípios na superação desse déficit.
A estratégia da iniciativa divide-se em duas frentes complementares:
- Fortalecimento da oferta: Apoio estrutural aos agricultores, assessoria técnica, licenciamento, beneficiamento da produção e aquisição de equipamentos para transporte.
- Estímulo ao consumo saudável: Adequação da infraestrutura escolar para armazenamento, revisão dos cardápios, capacitação de merendeiras e implantação de hortas e agroflorestas nas unidades de ensino.
Ciência aplicada e início das atividades em Manacapuru
A iniciativa conta com a colaboração da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), mediante acordo formalizado no dia 18 de setembro. A cooperação levará conhecimento científico e transferência tecnológica aos produtores, com foco na diversidade de frutos, tubérculos e sistemas agroflorestais.
Ana Euler, diretora de Inovação Social e Transferência de Tecnologia da Embrapa, destaca que a parceria facilitará o percurso dos produtos agrícolas das comunidades locais até os pratos das escolas.
A fase prática inicia-se com a celebração de acordos de cooperação técnica com as prefeituras e a realização de diagnósticos locais. Manacapuru é o primeiro município a receber as equipes de campo entre setembro e outubro para mapear a estrutura escolar e a capacidade produtiva local.
Para a subsecretária municipal de Educação de Manacapuru, Mara Regina, o projeto traz a oportunidade de aprimorar a gestão da merenda e agregar suporte técnico à rede de ensino local. A partir dos dados coletados, o planejamento das ações será estendido aos demais municípios participantes.


