
Entre janeiro e agosto deste ano, a arrecadação do Governo do Amazonas somou R$ 23,950 bilhões, registrando uma leve retração de 1,35% em relação aos R$ 24,278 bilhões recolhidos no mesmo período do ano anterior. Embora a variação percentual pareça discreta, o impacto financeiro é real: a receita encolheu R$ 328 milhões, pressionando a gestão fiscal do Estado em um momento no qual os custos públicos continuam a subir.
Na contramão da arrecadação, as despesas da administração estadual avançaram 1,48% nos primeiros oito meses, saltando de R$ 21,058 bilhões para R$ 21,371 bilhões — uma alta de R$ 312 milhões. O contraste fica ainda mais forte ao isolar apenas o mês de agosto, no qual os gastos subiram 6,36% (atingindo R$ 2,842 bilhões), enquanto a arrecadação despencou 2%, fechando o mês em R$ 2,983 bilhões contra R$ 3,044 bilhões registrados em agosto do ano passado.
O descompasso entre receita em queda e despesa em ascensão reduz a margem de manobra do poder Executivo para novos investimentos em infraestrutura e serviços essenciais. As duas maiores pilastras de arrecadação do Estado continuam sendo os impostos locais (como ICMS, IPVA e ITCMD), que renderam quase R$ 10 bilhões, e as transferências federais (incluindo FPE, royalties de petróleo, SUS e Fundeb), que superaram os R$ 4,5 bilhões. Juntas, essas fontes representam mais de 60% do caixa amazonense, deixando o orçamento altamente vulnerável a oscilações no consumo local e a repasses da União.
Apesar do cenário de atenção, a meta fiscal segue dentro do planejado. A Lei Orçamentária Anual (LOA) prevê um orçamento de R$ 37,6 bilhões em receitas e despesas para 2026. Com R$ 23,950 bilhões arrecadados até agosto, o Estado já atingiu 63,7% da meta anual ao fim do segundo quadrimestre. No entanto, a sustentabilidade das contas no último terço do ano dependerá de maior rigor no controle de gastos para evitar que o déficit operacional amplie o arrocho sobre o cofre público.


