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Raízes do Investimento: empresas anunciam novos aportes e expansão na Zona Franca de Manaus

A Zona Franca de Manaus (ZFM) recebeu um importante voto de confiança do setor industrial durante a 5ª edição do evento Raízes do Investimento. As empresas LG Electronics, Elgin e Naturally anunciaram novos aportes financeiros e planos de expansão para suas operações no modelo amazonense.

Os anúncios coincidem com um período de forte movimentação institucional. Na última reunião do Conselho de Administração da Suframa (CAS), foram aprovados 40 novos projetos industriais, que preveem investimentos da ordem de R$ 3,18 bilhões nos próximos três anos.

Segundo Gustavo Igrejas, titular da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), o Polo Industrial de Manaus (PIM) movimenta mais de US$ 40 bilhões anualmente. O secretário aproveitou a oportunidade para rebater as críticas tradicionais de que a região abriga apenas “indústrias de montagem”.

“A maioria dos produtos fabricados no polo de Manaus está no estado da arte da fabricação. Não tem nada que é feito de forma mais verticalizada no mundo”, defendeu Igrejas.

Os novos investimentos em destaque

Cada uma das três empresas apresentou estratégias distintas para consolidação e avanço no mercado nacional e internacional:

EmpresaFoco do Investimento / EstratégiaHistórico na ZFM
LG ElectronicsR$ 100 milhões em 2026 para o segmento automotivo B2B (parceria com Toyota e VW).30 anos de atuação
ElginR$ 113 milhões (últimos 2 anos) em fabricação própria de motores elétricos.40 anos de atuação
NaturallyCriação da WR International para exportar sorvetes de frutas tropicais para a Europa.Expansão regional

LG aposta no setor automotivo e verticalização

Com sete plantas industriais na capital amazonense, a LG Electronics transformou a unidade no complexo com a maior diversidade de portfólio da multinacional no mundo.

“Hoje nós somos o complexo industrial da LG Electronics com o maior número de produtos e tipos de produtos produzidos em uma única base industrial”, destacou o gerente-geral da LG, Nelson Gouvêa. O executivo apontou que 97% das placas eletrônicas utilizadas nos produtos da marca já são fabricadas localmente, comprovando o alto grau de verticalização.

Elgin reduz dependência externa e Naturally foca no social

A Elgin destacou o investimento recente de R$ 113 milhões voltado para a produção própria de motores elétricos, reduzindo a dependência de fornecedores externos. “Manaus é um grande polo, bastante incentivador das indústrias nacionais”, afirmou o diretor da fábrica, Paulo Araújo.

No setor de alimentos, a Naturally foca na internacionalização com forte impacto socioeconômico. “A cada minuto produzido, cada fruta produzida, tem um impacto social muito grande, mostrando o orgulho da nossa região”, declarou o proprietário da empresa, Willians Diniz, ao anunciar a exportação de sorvetes tropicais para a Europa.

Gargalos estruturais e escassez de terras ameaçam ritmo de crescimento

Apesar do otimismo, líderes empresariais alertam que a continuidade do ciclo de expansão da ZFM está condicionada à superação de velhos gargalos estruturais, logísticos e tributários.

  • Falta de espaço físico: O principal entrave imediato é a escassez de terrenos no Distrito Industrial. O gerente-geral da LG revelou que a limitação já afeta o crescimento da empresa: “Não temos mais para onde expandir, estamos precisando de terreno”.
  • Soluções em debate: Diante do problema, o superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, defendeu a modernização urgente nas regras de concessão de lotes. Paralelamente, o presidente da Associação Amazonense de Municípios (AAM), Anderson Sousa, sugeriu a descentralização do polo, direcionando novos projetos para cidades do entorno, como Rio Preto da Eva.
  • Crise climática e logística: As severas estiagens e a consequente crise na navegabilidade dos rios da região continuam exigindo das empresas um planejamento logístico rigoroso e oneroso para evitar a paralisação das linhas de produção.

Segurança jurídica: Sedecti critica nova norma da Receita Federal

O cenário tributário também acendeu um sinal de alerta no evento. O secretário Gustavo Igrejas teceu duras críticas a uma nova norma emitida pela Receita Federal, classificando-a como incompatível com as garantias constitucionais que protegem a Zona Franca de Manaus.

“É claramente ilegal”, afirmou o titular da Sedecti.

De acordo com o secretário, a medida tem potencial para inflacionar diretamente o custo dos insumos produtivos, afetando a competitividade do polo, uma vez que cerca de 60% dos componentes utilizados pelas indústrias locais ainda dependem de importação. O setor também demonstrou forte preocupação com a pressão exercida pelo avanço de produtos importados acabados sobre o mercado consumidor nacional.

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