Operação Mulher Segura prendeu 57,7 mil homens por violência em 4 meses.

A Região Norte, que engloba o Amazonas respondeu por 4% do total de prisões de agressores efetuadas durante os 141 dias da Operação Mulher Segura. O levantamento foi divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). O percentual contrasta com os índices registrados no Sul (36%), Centro-Oeste (26%), Sudeste (18%) e Nordeste (15%).No primeiro semestre deste ano, o Amazonas contabilizou 21.007 registros de violência doméstica, o que equivale a uma média diária de 116 casos.
Em todo o país, a ofensiva resultou na prisão de 57.790 homens por violência contra a mulher, dos quais 49.129 foram autuados em flagrante e 8.661 cumpriram mandados judiciais expedidos pela Justiça.
- Média diária elevada: No primeiro semestre do ano, o painel da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) contabilizou mais de 21.000 registros de violência doméstica, o que equivale a uma média aproximada de 116 casos por dia no estado.
- Tipos de ocorrências mais frequentes: Ameaça, lesão corporal, injúria, vias de fato e perseguição (stalking) lideram as queixas. A violência psicológica é uma das formas mais recorrentes registradas no atendimento de apoio.
- Aumento no volume de notificações: O estado registrou dezenas de milhares de ocorrências e solicitações de medida protetiva enviadas à Polícia Civil e ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).
Feminicídio e Violência Extrema
- Estatísticas de casos extremados: Levantamentos de segurança pública apontam variação nos casos de feminicídio no estado, com registros concentrados principalmente em Manaus e em municípios do interior, como Barcelos, Coari e São Gabriel da Cachoeira.
- Armas utilizadas e perfil do agressor: Grande parte dos episódios fatais envolve o uso de arma branca (facas e objetos cortantes), comumente presentes no ambiente doméstico. Além disso, ex-companheiros e ex-maridos correspondem à maioria expressiva dos autores de agressões violentas.
Perfil das Vítimas e Fatores de Vulnerabilidade
- Faixa etária e perfil socioeconômico: A maior parte das vítimas atendidas pelas redes estaduais possui entre 18 e 52 anos. Segundo dados do TJAM, mais de 80% das mulheres em situação de agressão enfrentam vulnerabilidade econômica (renda de até um salário mínimo), o que dificulta o rompimento do ciclo de violência por dependência financeira ou medo.
- Desafios no Interior: A logística dos municípios do interior impõe barreiras adicionais de acesso aos canais formais de denúncia e às Delegacias Especializadas em Crimes Contra a Mulher (DECCM).
Canais de Denúncia e Apoio Emergencial
Para solicitar ajuda, denunciar ou obter orientação no Amazonas:
- 190 (Polícia Militar): Para situações de emergência ou flagrante em andamento.
- 180 (Central de Atendimento à Mulher): Serviço nacional e gratuito de escuta, orientação e encaminhamento.
- Delegacias Especializadas (DECCM): Atendimento presencial e registro de Boletins de Ocorrência (BO) e pedidos de Medidas Protetivas de Urgência.
- Defensoria Pública do Estado (DPE-AM) e Ronda Maria da Penha: Serviços de assistência jurídica gratuita e acompanhamento ostensivo a mulheres com medidas protetivas deferidas.
Tipificação dos Crimes e Ações Nacionais
Dentre as principais ocorrências registradas em âmbito nacional no período da operação, destacam-se:
- Lesão corporal: 16.644 registros
- Ameaça: 15.019 registros
- Descumprimento de medidas protetivas de urgência: 4.949 registros
- Outras tipificações: 5.165 ocorrências
Somados, os três crimes mais expressivos contabilizam 36.612 registros.
Atendimento às Vítimas e Mobilização Policial
Durante o período, foram acolhidas 228.194 vítimas, prestados 155.641 acompanhamentos de medidas protetivas de urgência e realizadas 50.239 visitas preventivas em 4.253 municípios. A Região Sudeste liderou a demanda de atendimentos, concentrando 33% do total.
Para garantir a cobertura, o contingente de segurança mobilizou 123.878 policiais e 44.906 viaturas. Paralelamente, ações educativas presenciais conscientizaram 669.945 pessoas.
Iniciada em 1º de junho sob coordenação da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), a Operação Mulher Segura passou a ter caráter permanente, promovendo a articulação contínua entre forças estaduais e federais em frentes de repressão, prevenção e acompanhamento de medidas protetivas.


