Prefeito responsabiliza gestões estaduais pelos débitos com o transporte, acusa o governo de priorizar disputas políticas e afirma que lutará para manter o passe livre dos estudantes

O prefeito de Manaus, Renato Júnior, elevou o tom das críticas ao Governo do Amazonas durante entrevista nesta terça-feira (21), ao cobrar o pagamento de valores relacionados ao transporte estudantil e afirmar que defenderá a manutenção da gratuidade para alunos da rede pública estadual. O prefeito atribuiu a origem da dívida à gestão anterior, de Wilson Lima, e afirmou que o atual governador, Roberto Cidade, herdou a responsabilidade de quitá-la.
Segundo Renato Júnior, o Estado ainda não regularizou os repasses referentes ao vale-transporte estudantil e tenta transformar o tema em disputa política. O prefeito afirmou que apresentará documentos para demonstrar quanto foi efetivamente pago pelo Governo do Amazonas ao sistema de transporte coletivo.
Durante o pronunciamento, Renato também ampliou as críticas à administração estadual, afirmando que há atrasos em pagamentos destinados a outras áreas, como saúde e infraestrutura. Ele citou, como exemplos, supostos débitos com profissionais da saúde, além de repasses relacionados a obras viárias em Manaus, e afirmou que a capital concentra cerca de 90% da arrecadação estadual.
O prefeito declarou que, a partir de agora, atuará para impedir qualquer tentativa de retirada da gratuidade dos estudantes da rede estadual. “Vou lutar para que o Governo do Amazonas não tire o passe livre dos alunos”, afirmou. Renato também destacou os investimentos municipais no transporte coletivo, citando a renovação da frota com 500 ônibus novos, e disse não ter objeção a uma eventual sindicância nas contas do Sinetram.
Encerrando as críticas, Renato Júnior afirmou que sua atuação tem como foco “a causa, e não as pessoas”, mas voltou a acusar o governo estadual de inadimplência, classificando a gestão como “caloteira”. Até o momento, o Governo do Amazonas não havia se manifestado sobre as declarações do prefeito.
DÍVIDA
O prefeito afirma que Estado deve R$ 44 milhões referentes à gratuidade estudantil e cobra apresentação de comprovantes de repasse. Ele desafiou Roberto Cidade a apresentar os comprovantes de pagamento do vale-transporte estudantil na capital.
Segundo o prefeito, o custo total do vale-transporte estudantil é de R$ 9,00 por passagem, dos quais a Prefeitura subsidia R$ 4,00. Conforme a planilha de custos do sistema, o benefício sai por R$ 5,00 por aluno.
Renato Júnior afirmou ainda que o Governo do Amazonas possui uma dívida de R$ 44 milhões relacionada à gratuidade estudantil. De acordo com ele, o Estado obteve uma liminar judicial garantindo o pagamento desse valor, mas o montante devido tecnicamente seria de R$ 94 milhões.
O prefeito cobrou transparência do governo estadual e disse que aguarda a apresentação dos documentos que comprovem os repasses efetuados ao sistema de transporte coletivo. Até o momento, o Governo do Amazonas não se manifestou oficialmente sobre as declarações do prefeito.
Ações imediatas e plano de contingência
Para minimizar o impacto nas rotinas de trabalhadores e estudantes, o IMMU colocou em prática um plano emergencial de monitoramento e redistribuição da frota operacional.
Segundo o diretor-presidente do órgão, Elson Andrade, equipes de fiscalização foram posicionadas nos principais terminais de integração (T1, T2, T3, T4 e T5) e nos pontos de maior fluxo da capital.
- Frota de contingência: Liberação e remanejamento de veículos de apoio para atender às linhas de maior demanda.
- Fiscalização intensa: Notificação imediata às empresas consorciadas que descumprirem a frota mínima operacional determinada por lei.
- Monitoramento em tempo real: Acompanhamento de 100% dos itinerários por meio das câmeras de vigilância do CCC.
Medidas judiciais e transparência nos custos
No âmbito jurídico, a procuradora-geral do município, Carmem Santos, informou que a Prefeitura de Manaus já acionou a Justiça para garantir a manutenção de um percentual mínimo da frota rodando durante o período de paralisação, sob pena de multa diária às empresas e aos sindicatos envolvidos.
Além das ações judiciais, a gestão municipal apresentou um detalhamento técnico sobre o custeio do transporte público na capital. A prefeitura reiterou que tem mantido os repasses dos subsídios em dia e cobrou responsabilidade das concessionárias na gestão financeira do serviço prestado à população.
A administração municipal segue em reunião permanente no Centro de Cooperação da Cidade para acompanhar a evolução do tráfego e a negociação com as partes envolvidas até o restabelecimento completo do serviço.


