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Repórter Tropical volta às ondas do rádio e resgata memória

Programa retoma tradição do radiojornalismo e reúne jornalistas experientes em uma das emissoras mais emblemáticas da história de Manaus

“Se a Tropical não deu, nada aconteceu”. A frase, eternizada nas vinhetas da Rádio Cidade Tropical, atravessou décadas e permanece viva na memória de milhares de amazonenses. Agora, o tradicional “Repórter Tropical” retorna às ondas do rádio em Manaus, resgatando uma das marcas mais emblemáticas do radiojornalismo amazonense.

Muito antes da internet, das redes sociais e das notificações em tempo real, o rádio era a principal fonte de informação imediata da população. Era pelo “Repórter Tropical” que os ouvintes acompanhavam os resultados dos vestibulares da antiga Universidade do Amazonas (UA), os plantões policiais, a abertura das urnas nas eleições e as emoções dos jogos no estádio Vivaldão – onde hoje fica a Arena da Amazônia.

Fundada em abril de 1970, a Rádio Cidade Tropical construiu sua história como uma das emissoras mais tradicionais da Amazônia. A rádio nasceu originalmente como Tropical FM 99,3 e ficou conhecida pelo pioneirismo tecnológico. Registros históricos apontam que a emissora foi a primeira rádio FM estéreo do Brasil e uma das pioneiras da América Latina nesse modelo de transmissão.

Na década de 1980, a emissora firmou parceria com a Rede Cidade, do Rio de Janeiro, consolidando o nome “Cidade Tropical” e ampliando sua audiência entre o público jovem e popular. Após o encerramento da rede nacional, em 1992, a rádio passou a investir em programação regional e fortaleceu ainda mais sua identidade amazonense.

É nesse contexto de memória e tradição que o “Repórter Tropical” retorna ao ar, reunindo jornalistas com longa trajetória na comunicação amazonense. À frente do programa está o jornalista Meike Farias, que celebra o reencontro com o rádio justamente no ano em que completa 30 anos de carreira.

“Voltar à bancada da Rádio Cidade no ano em que completo 30 anos de carreira, é voltar às minhas raízes. Reviver a atmosfera do rádio diariamente, restabelecendo o contato com o ouvinte, é um exercício que exige responsabilidade e ética na apuração. Ao mesmo tempo, é um privilégio transmitir notícias em uma emissora com tanta história”, afirma Meike.

Além dele, a bancada conta com André Tobias, Emerson Quaresma, Leanderson Lima e Rodrigo Araújo – profissionais reconhecidos principalmente pela atuação no jornalismo impresso.

“Durante toda a minha vida profissional trabalhei em jornais impressos de Manaus. Então, está sendo um grande desafio desbravar essa mídia fascinante”, comenta Rodrigo Araújo.

Para Emerson Quaresma, o retorno ao jornalismo por meio do rádio representa uma reconexão com a essência da comunicação popular.

“É um desafio aliar o estilo do jornal impresso à necessidade de comunicar de forma simples e direta em uma rádio popular, que, mesmo diante da concorrência da TV e da internet, continua sendo uma grande plataforma de comunicação de massa”, destaca.

Já o jornalista Leanderson Lima define a experiência como um reencontro afetivo.

“A Rádio Cidade faz parte da minha memória afetiva. Cresci ouvindo a emissora e, hoje, desenvolver um projeto especial aqui é algo realmente marcante”, afirma.

Legado histórico

A trajetória da emissora se confunde com a própria história da comunicação no Amazonas. Em depoimento emocionado, o empresário Antônio Malheiros, um dos nomes históricos ligados à rádio, destacou a importância da Cidade Tropical para diferentes gerações de ouvintes.

“Quando a gente criou a Rádio Cidade, o nosso objetivo sempre foi estar perto do povo. O rádio tem uma força que nenhuma outra mídia consegue substituir completamente: ele entra na casa das pessoas, acompanha o trabalhador, o motorista, o ribeirinho, …

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