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Rio Negro fica a quatro centímetros da cota emergencial

A severa estiagem que atinge o Amazonas continua a provocar retração acelerada nas bacias hidrográficas da região. Em Manaus, a calha do Rio Negro registrou novas vazantes sucessivas e encontra-se a apenas 4 centímetros de atingir a cota oficial de emergência, acendendo o sinal de alerta máximo para autoridades, especialistas em clima e populações ribeirinhas.

Nesta quarta-feira, 21 de outubro de 2026, a cota do Rio Negro registrada no Porto de Manaus/Prefeitura de Manaus é de 17,43 metros – com uma vazante diária de cerca de 8 centímetros em relação ao dia anterior

Para entender o panorama da estiagem atual em Manaus, veja o comportamento do nível do Rio Negro na mesma data (21 de outubro) em anos históricos de seca:

AnoCota em 21 de OutubroSituação / Observação
2026 (Atual)17,04 mEm processo contínuo de descida em meio ao período de vazante.
202512,11 mNível extremamente baixo decorrente de seca severa contínua no estado.
202412,70 mAno do recorde histórico absoluto da maior vazante de Manaus (12,70 m registrados no pico do ano).
202312,85 mAno que registrou até então a pior seca em mais de 120 anos de medições oficiais.

Análise da Estiagem de 2026

  • Ritmo Menos Severo que em 2024: A cota de 17,04 metros em 2026 indica que, embora a bacia continue em vazante diária e acenda o sinal de alerta para a navegação e abastecimento, os níveis do Rio Negro encontram-se cerca de 4 a 5 metros acima dos patamares críticos observados durante os picos históricos das secas extremas de 2023 e 2024.
  • Impactos Locais: Apesar de a cota ser superior à do ano de recorde histórico, a vazante atual associada às altas temperaturas e ao avanço das queimadas regionais gera dificuldades para o transporte de cargas, atracação de embarcações e isolamento de comunidades ribeirinhas no interior do Amazonas.

Impactos Logísticos e Isolamento de Comunidades

O rebaixamento das águas tem alterado profundamente a rotina da capital e de municípios dependentes do transporte hidroviário, gerando impactos diretos na economia e no abastecimento:

  • Navegação Restrita: A proliferação de bancos de areia e o surgimento de pedrais ao longo do leito do rio exigem a redução de carga das embarcações comerciais e aumentam o tempo de viagem das linhas regionais.
  • Abastecimento de Comunidades: Locais de difícil acesso enfrentam dificuldades no recebimento de insumos básicos, água potável, remédios e alimentos.
  • Operação de Postos e Flutuantes: A infraestrutura flutuante na orla de Manaus precisa ser constantemente remanejada para evitar encalhes e danos às estruturas.

A retração do Rio Negro insere-se no contexto de seca prolongada impulsionada por elevadas temperaturas e baixos índices pluviométricos no estado. O cenário é agravado pela poeira e pela densa fumaça de incêndios florestais que cobrem Manaus e o interior, provocando crises na qualidade do ar e sobrecarregando a rede de atenção básica à saúde.

Órgãos de monitoramento ambiental e a Defesa Civil mantêm o acompanhamento diário do nível do rio, enquanto reforçam a distribuição de ajuda humanitária para os polos mais atingidos pela estiagem.

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