
Com a chegada do chamado “verão amazônico”, a busca por refúgio em sítios, chácaras e balneários na zona rural e periurbana de Manaus cresce consideravelmente. No entanto, o que deveria ser um momento de descanso exige agora atenção redobrada. A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) emitiu um alerta epidemiológico urgente: o início do período de seca e vazante dos rios favorece a proliferação do mosquito Anopheles, vetor de transmissão da malária.
O Fator Ambiental e os Números
A descida das águas deixa poças e áreas de remanso que funcionam como os criadouros naturais perfeitos para o mosquito. De acordo com Marinélia Ferreira, diretora de Vigilância Epidemiológica da Semsa, o comportamento da população durante as férias e fins de semana potencializa o risco de infecção.
“Muitas pessoas procuram áreas de lazer e permanecem expostas justamente nos horários de maior atividade do mosquito transmissor, principalmente ao amanhecer e ao entardecer”, explica a enfermeira.
Os dados estatísticos reforçam a sazonalidade histórica da doença no município:
- Janeiro a Junho de 2026: Manaus já contabilizou 3.284 casos de malária.
- Junho a Setembro (Período Sazonal): Registra-se um aumento médio de 52,3% no número de infectados em comparação aos primeiros cinco meses do ano.
- Histórico recente: Em 2025, dos 8.383 casos totais do ano, 3.341 ocorreram exatamente nessa janela de quatro meses.
Sintomas e Onde Buscar Ajuda
O principal indicativo de alerta é a febre, acompanhada ou não de calafrios, dores de cabeça e no corpo, especialmente se o paciente frequentou áreas de mata, igarapés ou assentamentos recentemente.
A Semsa reforça que o diagnóstico precoce é a chave para quebrar o ciclo de transmissão. O município dispõe de 55 pontos de atendimento distribuídos estrategicamente nas zonas urbana e rural para a realização do exame gratuito. A malária tem cura, mas o atraso ou a interrupção do tratamento pode levar a quadros graves e fatais.
Guia de Bolso: Como Curtir o Fim de Semana Protegido
Para quem não abre mão de frequentar os balneários e comunidades rurais neste período, a prevenção individual é indispensável. Veja as principais recomendações:
- Vestuário adequado: Use calças e camisas de manga comprida ao caminhar perto de margens de rios, lagos ou áreas de mata densa.
- Uso de repelente: Aplique o produto regularmente nas partes expostas do corpo, seguindo as orientações do fabricante.
- Atenção aos horários: Se possível, evite ficar próximo à vegetação ou à água nos momentos de maior atividade do mosquito (amanhecer e anoitecer).
- Proteção nos alojamentos: Em caso de pernoite em sítios ou comunidades, certifique-se de que o local possui telas nas janelas e utilize mosquiteiros sobre as camas.
Em paralelo aos cuidados individuais, as equipes de saúde seguem realizando ações de vigilância contínua, que incluem a aplicação de biolarvicidas, termonebulização (fumacê) e busca ativa de casos em regiões de ocupação recente nas zonas Norte, Leste e Oeste da capital.


