
Enquanto grande parte do Brasil associa o mês de junho às festas juninas e celebrações de São João, no Amazonas o período é marcado pela contagem regressiva para o Festival de Parintins. Nesse clima de boi-bumbá, as aulas de FitDance da Bodytech Ponta Negra, também se tornaram uma oportunidade para ensaiar os passos das toadas dos Bois Garantido e Caprichoso. Desde o fim de maio, as aulas de FitDance realizadas às segundas, quartas e sextas-feiras, às 19h, passaram a incluir as toadas dos bois do Festival de Parintins. A proposta une atividade física, dança e valorização da cultura popular amazonense.
De acordo com o profissional de Educação Física da Bodytech Ponta Negra, Cley Martins, a dança é uma atividade completa, capaz de promover benefícios físicos e emocionais para alunos de diferentes idades.
“A dança proporciona diversos benefícios para o corpo e para a mente. Ela melhora o condicionamento físico, a coordenação motora, o equilíbrio, a flexibilidade e a resistência cardiovascular. Além disso, ajuda na socialização, aumenta a autoestima e contribui para a redução do estresse e da ansiedade”, destaca.
Segundo o personal, as aulas de boi-bumbá têm atraído alunas que buscam uma forma mais leve e descontraída de se exercitar, especialmente durante o período que antecede o festival.
“A dança atende tanto quem deseja emagrecer quanto quem busca aliviar o estresse. É uma atividade que promove um alto gasto calórico de forma divertida e, ao mesmo tempo, libera endorfina, proporcionando mais alegria, bem-estar e disposição”, explica.
Além dos benefícios para a saúde, as aulas despertam o sentimento de pertencimento cultural entre os participantes. Esse é o caso da engenheira civil Nelcimara Lima, 32, que frequenta aulas de dança há dez anos e afirma que a conexão com o boi-bumbá vem desde a infância.
“Sou uma amazonense raiz, ribeirinha de uma comunidade próxima a Manacapuru, e desde criança nossa cultura já está enraizada em mim. Sou apaixonada pelo boi-bumbá. A dança é um momento em que esvazio a mente, me solto sem vergonha de me expressar através dos movimentos e me sinto mais leve”, relata.
Torcedora do Caprichoso, Nelcimara Lima, conta que sua toada favorita para dançar é “Boi da Estrela” e destaca que iniciativas como a da Bodytech, fortalecem sua permanência na academia.
“Quero ressaltar o incentivo da academia à dança e o trabalho dos professores Cley e Andrew. Eles transmitem os ensinamentos com muito amor. Aulas diferenciadas como o Aeroboi valorizam nossa cultura amazonense e fazem toda a diferença”, afirma.
A analista ambiental Ivana Veríssimo, 42, também participa das aulas de dança há uma década. Ela conta que começou a dançar por recomendação médica durante uma crise de ansiedade e encontrou na atividade uma importante aliada para a saúde física e mental.
“No corpo, as mudanças foram muitas, como perda de gordura, ganho de massa muscular, mais força e disposição. Na mente, os benefícios foram ainda maiores. Me sinto mais leve e mais feliz”, diz.
Natural de Rondônia, Ivana já tinha ligação com a cultura bovina antes de chegar ao Amazonas. “Sempre fui admiradora de boi-bumbá. Em Porto Velho eu fui Cunhã-Poranga do boi Corre Campo. Hoje minhas toadas favoritas para dançar são ‘Ayira Ibi Cunhã’ e ‘Deusa das Águas’, ambas do Garantido, meu boi do coração”, conta.
Para Cley Martins, a combinação entre dança e cultura regional ajuda a tornar a atividade física mais prazerosa e acessível. “A dança é uma atividade capaz de transformar vidas. Ela promove saúde, alegria, autoestima e qualidade de vida. Quando conseguimos unir isso à nossa cultura, o resultado é ainda mais especial”, comenta.


