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STF revoga afastamento e Adail Pinheiro reassume em Coari

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogou na sexta-feira (25) o afastamento do prefeito de Coari, Adail Pinheiro (Republicanos). A medida havia sido determinada no âmbito da Operação Dinastia do Lago, da Polícia Federal (PF), que investiga suspeitas de fraude em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo contratos da prefeitura.

A informação foi confirmada pela defesa de Adail Pinheiro. Segundo os advogados, a decisão foi publicada na sexta e a Câmara Municipal de Coari foi comunicada no mesmo dia.

Na decisão, Gilmar Mendes revogou a medida cautelar que afastava o prefeito do exercício do cargo. O ministro citou entendimentos do STF sobre a necessidade de cautela em decisões judiciais que possam interferir no processo eleitoral, sem prejuízo à continuidade das investigações.

O prefeito estava afastado do cargo desde 16 de setembro, por decisão do ministro Alexandre de Moraes. Na ocasião, a medida foi fixada por 90 dias e também alcançou secretários municipais investigados no caso.

Operação Dinastia do Lago

A operação é um desdobramento de um inquérito aberto no STF para investigar Adail Filho por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro.

A investigação começou após a prisão em flagrante de três empresários no Aeroporto de Brasília, em maio de 2025. Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Wagner Santos Moutinho transportavam cerca de R$ 1,25 milhão em espécie em um voo entre Manaus e Brasília e não apresentaram, naquele momento, comprovação da origem do dinheiro.

A partir da apreensão, documentos e aparelhos eletrônicos recolhidos durante a investigação foram analisados com autorização judicial. Segundo o processo, o material apontou movimentações financeiras consideradas suspeitas e possíveis relações com contratos da Prefeitura de Coari.

As apurações também identificaram empresas ligadas aos investigados que mantinham contratos com o município e que, segundo a investigação, podem ter sido usadas para fraudar licitações. O caso envolve ainda repasses de emendas parlamentares destinadas a Coari nos anos de 2024 e 2025.

Segundo um despacho de Alexandre de Moraes, os documentos e dispositivos apreendidos indicaram, de acordo com a investigação, a realização de repasses financeiros por empresas vinculadas aos investigados em benefício de Adail Filho e de Adail Pinheiro.

O ministro Alexandre de Moraes determinou a abertura do inquérito no STF após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e enviou o caso para a Polícia Federal dar continuidade às investigações.

Em 24 de junho de 2026, Moraes prorrogou a investigação por mais 60 dias, após pedido da Polícia Federal. Segundo a decisão, a PF apontou a complexidade dos fatos investigados, a quantidade de pessoas físicas e jurídicas envolvidas e a existência de diligências ainda pendentes.

A investigação apura a possível prática dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Na operação desta quarta, também são investigadas suspeitas de fraude em licitação, desvio de recursos públicos e peculato.

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