
chegou a 5.069 pessoas nesta sexta-feira (17), segundo dados oficiais divulgados pelo governo da presidente interina, Delcy Rodríguez. São 139 mortes a mais em relação ao último balanço, que registrava 4.930 vítimas.
De acordo com o relatório divulgado por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, o número de feridos é de 16.740, índice que permanece estável há vários dias.
Atualmente, há 107 abrigos temporários instalados no país, onde mais de 21.200 pessoas recebem assistência. Quase 18 mil pessoas perderam suas casas, mas as autoridades alertaram que esse número deve aumentar à medida que avançam as avaliações dos danos nas edificações.
Os dados oficiais mostram que 856 edifícios foram afetados pelos terremotos de 24 de junho, dos quais 190 desabaram completamente. O governo estimou no fim de semana que serão necessárias 25 mil moradias para atender as pessoas que perderam suas casas.
“Os cálculos iniciais indicam que precisaremos de aproximadamente 25 mil moradias. Mas não se trata apenas de construir, comprar, concluir e disponibilizar essas 25 mil casas o mais rápido possível. Também será necessário reconstruir cidades”, declarou no sábado o presidente da Assembleia Nacional.
O governo da Venezuela ainda não informou o número de desaparecidos após os terremotos.
A marca de mais de 5 mil mortos foi registrada em uma semana em que a presidente interina promoveu uma série de mudanças em seu gabinete, desde os terremotos que atingiram o país há mais de três semanas.
Uma das mais recentes foi a fusão dos ministérios das Relações Exteriores e do Comércio Exterior, que passarão a ser comandados pelo diplomata Félix Plasencia, novo chanceler do país.
Plasencia, que tem uma longa trajetória na diplomacia venezuelana, é próximo de Delcy Rodríguez. Analistas e pessoas familiarizadas com sua carreira o descrevem como uma das figuras mais conciliadoras do chavismo, perfil que ganha importância em um momento em que Caracas busca consolidar o processo de normalização das relações com o governo de Donald Trump.
Uma recuperação difícil
Após o terremoto duplo, muitas famílias continuam procurando seus entes queridos. Na última semana, a CNN conversou com várias pessoas que relataram a falta de máquinas e de apoio das autoridades para dar continuidade às buscas.
Embora muitos afirmem que as esperanças diminuem a cada dia, garantem que não vão desistir até encontrar seus familiares. “Vou ficar aqui o tempo que for necessário, mas vou levar o corpo dele para casa”, disse à CNN Carlos Pérez, irmão de uma das vítimas do terremoto duplo.
“Há uma tragédia humanitária inimaginável no país”, avaliou Fernando Losada, economista-chefe da Oppenheimer & Co.
Além dessa imensa tragédia humanitária, a Organização das Nações Unidas (ONU) estima que os prejuízos causados pelos terremotos cheguem a cerca de US$ 37 bilhões, acrescentou o especialista, alertando que esse valor pode ser ainda maior.
Comparando essa estimativa com o Produto Interno Bruto (PIB) projetado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para este ano, o custo equivale a cerca de um terço da economia venezuelana.
“É um valor astronômico”, afirmou Losada à CNN.
Em meio aos dias de tristeza provocados pelas buscas desesperadas sob os escombros e pelas enormes perdas econômicas, para alguns, reencontrar seus animais de estimação representa um pouco de esperança para seguir no difícil caminho da reconstrução da Venezuela.
Mais de 648 animais de estimação, entre cães e gatos, foram resgatados em La Guaira, um dos estados mais afetados pelos terremotos, e dezenas deles, felizmente, já puderam voltar para casa.


