
A programação em celebração aos dois anos da Ouvidoria da Mulher do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM) foi encerrada, na tarde desta quinta-feira (16), com a apresentação de projetos institucionais e a realização da primeira roda de conversa com mulheres atendidas pelo serviço. A iniciativa integrou as ações de enfrentamento à violência e promoção da cidadania.
O encontro reuniu relatos de mulheres que passaram por situações de violência e encontraram suporte na Ouvidoria da Mulher, em um espaço voltado à escuta e ao acolhimento. A conselheira-presidente do TCE-AM, Yara Lins, destacou a importância da iniciativa como instrumento de fortalecimento institucional.
“A abertura desse espaço de fala e escuta é fundamental para que possamos compreender, acolher e avançar na construção de políticas mais eficazes de enfrentamento à violência contra a mulher”, afirmou.
Durante a apresentação, a diretora da Ouvidoria da Mulher do TCE-AM, Ana Paula Machado, reforçou o papel institucional do órgão no enfrentamento à violência.
“A nossa ouvidoria da mulher é escuta, acolhimento e transformação social, porque não basta apenas escutar uma mulher, a gente tem que acolher e a vida dela tem que ser transformada para que ela saia daquele ciclo de violência”, afirma.
Ao detalhar o alcance do serviço, ela destacou o caráter ampliado do atendimento. Segundo a diretora, a Ouvidoria não atende apenas servidoras do próprio Tribunal, mas também mulheres que atuam em órgãos jurisdicionados e até mesmo da sociedade civil que tenham sofrido violência dentro de instituições públicas.
Na sequência, foram apresentados os projetos “Icamiabas” e “Cunhantãs e Curumins da Igualdade”, iniciativas que ampliam a atuação da Ouvidoria no enfrentamento à violência e na promoção da cidadania.
O projeto “Cunhatãs e Curumins da Igualdade” tem foco na atuação preventiva, com ações educativas voltadas a crianças e adolescentes, promovendo debates sobre igualdade de gênero, direitos humanos e cultura de paz no ambiente escolar municipal e estadual. A proposta busca formar jovens multiplicadores, envolvendo também famílias e comunidade escolar no enfrentamento à violência.
Já o projeto “Icamiabas” reúne quatro mulheres atendidas pela Ouvidoria, que compartilham experiências de violências e destacam o impacto do acolhimento recebido.
“Para mim foi importante participar dessa roda de conversa pelo acolhimento que eu tive no momento em que minha filha passou por uma situação difícil. Nós fomos bem atendidas, encaminhadas e assistidas da melhor forma possível”, relata Ana Marques de Castro.
Entre os relatos, também se destaca a experiência de Roseane Tavares da Cruz.
“Eu aceitei o convite porque vi uma oportunidade de falar sobre a violência doméstica. No início foi muito constrangedor, mas é importante a gente falar abertamente sobre isso. É um tema que precisa ser discutido na sociedade”, afirma.
A realização da roda de conversa marcou o encerramento da programação e reforçou a Ouvidoria da Mulher como um espaço de escuta ativa, acolhimento e incentivo à denúncia.


